Carta Aberta ao Primeiro-Ministro: Passos Escuta…

“Passos escuta… estamos fartos de ver emigrar os nossos familiares, os nossos direitos, os nossos sonhos, e vamos continuar a lutar para que rapidamente entendas que o melhor para todos é que sejas tu, o teu governo, os teus banqueiros, os próximos a partir. Ninguém deixará cair uma lágrima na hora de tu zarpares. Essa viagem é hoje a condição para as pessoas voltarem a ter esperança num futuro melhor. Não bastará, é certo, mas tudo recomeçará nesse dia inicial, inteiro e limpo.”

cinco dias

Mariano i

Passos escuta… o meu nome é António Mariano, tenho 55 anos de português, 35 de estivador e 18 de sindicalista. Fomos eleitos – no meu caso em eleições directas, no teu, em indirectas, foste escolhido por uma maioria dos deputados eleitos para a AR – para representarmos um determinado universo.

Represento quase 400 estivadores que escolheram a minha equipa para estar à frente da nossa centenária associação de classe, constituída em 1896, para representar os nossos interesses individuais e colectivos bem como o daqueles que no futuro irão desempenhar esta profissão de apaixonante risco. Tu representas os mais de 10 milhões de cidadãos, onde os estivadores se incluem. Tudo o resto é um mar de conflitos que nos separam, tão diferentes são os modelos de sociedade e os valores que defendemos.

Começando pelos valores em que baseias a tua formação, realço a Mentira que encarnas, que tão bem cultivas, que…

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Carta a Fátima Pinheiro

Querida Fátima,

Há já bastante tempo que deixei de desperdiçar o meu tempo a ler a trampa que o Expresso insiste em nos ofertar. Da direita à esquerda, do Henrique Raposo ao Daniel Oliveira, aquilo simplesmente não tem ponta por onde se lhe pegue. Até encarar a tua “Carta a Miguel Relvas”.

Perdoar-me-ás a frontalidade, mas como é possível um jornal com a reputação do Expresso publicar uma verborreia desta dimensão? Não me refiro tanto ao seu conteúdo, apesar de se resumir a uma defesa do indefensável, tão desafortunada como confusa; uma honesta apologia à desonestidade na política. Refiro-me antes à própria forma: uma acumulação de sucessivas construções frásicas pseudo-eloquentes sem norte nem sentido; uma divagação retórica sem qualquer lógica ou estrutura interna discernível. Dir-me-ás que é apenas um espaço de opinião. Tudo bem, mas não me posso deixar de questionar sobre quais serão os critérios formais do Expresso para a publicação de textos desta índole.

Enfim, imergidos como estamos nesta crise que parece não ter desfecho à vista, o Expresso deixou de contemplar o jornalismo de qualidade para passar a priorizar conteúdos de teor humorístico. Se o teu objectivo era desanuviar as nossas mentes, acossadas pelas agruras desta avassaladora intempérie económico-social, e motivar umas gargalhadas no universo de leitores que ainda têm paciência para folhear o Expresso, o teu escopo foi mais do que atingido. Parabéns.

Com os mais cordiais cumprimentos,

Tiago

Jornalismo de merda

Quando encher chouriço é mais importante do que o mínimo respeito pelos mortos; quando a tragédia é escavada e explorada em nome do conteúdo fácil; quando a “investigação” se reduz à leitura de SMS’s por vozes dramatizadas e acompanhadas pela banda sonora de um thriller sem categoria; quando a informação e a reflexão dão lugar à obscenidade do espectáculo; quando a privacidade desaparece, a justiça é cuspida na cara e o mercado impera sobre o bom senso: nessa altura, temos jornalismo de merda.

Em questão: http://www.publico.pt/multimedia/video/meco-26-mensagens-entre-carina-e-sobrevivente-2014227220120

LUTA DOS ESTIVADORES – Chegou a hora de voltarmos a vencer!

Ah e tal, isso da luta não resolve nada…

L´obéissance est morte

video

Clicar aqui ou na imagem para ver a notícia.

Vitória a toda a linha fechada em acordo negociado pela direcção e aprovado em plenário de base por unanimidade. Reintegração dos 47 trabalhadores despedidos, negociação do contrato colectivo de trabalho, anulação dos processos disciplinares e judiciais sobre trabalhadores e sindicato, são as três grandes conquistas de uma luta exemplar, que teve na solidariedade, nacional e internacional, sindical e social, os seus ingredientes secretos. A combatividade e a conflituosidade sindical aliada a um forte movimento de solidariedade fazem toda a diferença na hora de resistir. Que o exemplo desta luta e da receita que a levou ao sucesso se multiplique por outros portos de Portugal e da Europa e, claro, por outros sectores do trabalho. Estamos demasiados habituados a perder para nos darmos a luxo de não aprender com aquela que é uma das maiores vitórias do movimento operário dos últimos anos…

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PORTOS DA EUROPA, RISE UP! – O que está em disputa no Porto de Lisboa? Porque estamos a ser usados como balão de ensaio para o resto da Europa? Porque mentem, articuladamente, os patrões e o governo?

L´obéissance est morte

Dockers Bar_Terry Bradley

Boas notícias nos chegam da frente dos Portos. Em solidariedade com os seus companheiros portugueses e depois de já se terem dirigido a algumas Embaixadas de Portugal na Europa, os estivadores europeus vão, já amanhã, parar os Portos da Europa durante duas horas. Já sabemos que não vai faltar quem faça as contas ao prejuízo, mas felizmente haverá quem também lembre os lucros assombrosos de quem fica a ganhar muito mais do que o dinheiro que é pago aos profissionais da Estiva.

Vejamos. As empresas que exploram os Portos, a esmagadora delas por via concessionária, paga uma bagatela ao Estado para explorar estas infraestruturas e quando os seus lucros nunca aumentaram tanto, aparecem apostados em cortar no custo do trabalho dos Estivadores, uma das poucas despesas da factura portuária que pouco agrava quer o preço final quer o volume de importações e de exportações. Seria interessante, por isso mesmo…

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Bernardo Loubet da Nóbrega, um manual de imbecilidades

Por vezes, o melhor argumento contra este governo são os seus próprios apoiantes. Não sei se este indivíduo existe mesmo, ou isto não passa de uma piada genial. Isto é apenas uma pequena amostra, pois o mural do Facebook do homem é um acervo riquíssimo para o estudo da idiotia liberal.

[EDIT 31/01/14]: Parece que afinal o perfil do Facebook é mesmo uma piada genial. Mas o mais preocupante é que a governança deste governo e as opiniões debitadas pelos “comentaristas” de serviço tornam a existência de uma personagem deste género perfeitamente plausível. Pior, não tenho a mínima dúvida que muitos Bernardos Loubet da Nóbrega ocupam cadeiras ministeriais e secretarias de Estado neste preciso momento.]

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O populismo financeiro na Holanda: mais um passo na criminalização da pobreza

ImagemA criminalização da pobreza é um fenómeno dos estados penais que se desenvolveram acompanhando os livres mercados do capitalismo tardio.

Esta assume várias vertentes ao nível da intervenção dos dispositivos punitivos na sociedade, desde a perseguição dos sem-abrigo ao reforço na patrulha de “bairros problemáticos”; encontra, ao mesmo tempo, um reflexo no controle de acessos ao sistema prisional.

Sabemos que as populações reclusas são, na sua maioria, compostas por pessoas provenientes das camadas economicamente e socialmente mais desfavorecidas: pessoas pobres, com baixa escolaridade ou minorias étnicas. Percebemos que isto acontece pela reprodução dos grupos sociais ao longo do tempo (especialmente em grupos sociais criminalizados, como é o caso dos ciganos em Portugal) assim como pela diferença de acessos a uma “boa justiça” (quem consegue custear um bom advogado? e quem se defende do preconceito da polícia e do juiz?), entre outros fatores. Já são inúmeras as denúncias à privatização de prisões como forma de criminalização da pobreza (na medida em que criam interesse especulativo sobre a administração de justiça no sentido de aumentar o encarceramento) mas nem sempre se considera que a prisão pública, sujeita às flutuações nos cargos decisores, possa ser também um interveniente direto.

Exemplo disso é o movimento anunciado na Holanda de cobrar uma taxa aos reclusos pela sua estadia. Como é próprio das medidas populistas, esta apresenta-se com boas intenções: as prisões são caras (e são, de facto) e há um argumento popular contra este dinheiro ser canalizado para reclusos quando existem pessoas, não criminosas, a passar dificuldades.

Devemos por isso ter em conta os dois grandes erros desta análise: o primeiro, de considerar que o ónus da responsabilidade da despesa nas prisões deve estar nos prisioneiros e não nas políticas que, ao longo do tempo, não conseguiram contribuir satisfatoriamente para a redução da criminalidade.

O segundo, que o dinheiro poupado serve “os mais carenciados”, ao deslocar despesa pública para onde ela é necessária. Como vimos, os mais carenciados são precisamente o alvo principal das políticas penais. O que uma medida destas cria é um castigo ao recluso, acrescentado à pena do tribunal, sobrando àqueles que têm dinheiro para custear a sua estadia na prisão a capacidade de cumprir o castigo. Aos pobres, sobra a conta da prisão, acrescentado uma dívida ao estado à pena que já estão a cumprir, que será paga… como? Com mais prisão? Ou obriga-se, como é dado a entender no artigo, a família a custear a prisão – arrastando a família do recluso na rede penal do estado! A medida, mais uma vez, reforça o fosso entre quem consegue pagar a justiça e quem não consegue, e servirá, se aplicada, apenas para incrementar a criminalização dos pobres.

CDS defende o direito à falta de educação

Sectores do CDS-PP querem reduzir a escolaridade obrigatória para o 9º ano. Não se trata de um devaneio qualquer de um retrógrado de direita. Isto é parte do projecto que a direita e os grupos sociais que a sustentam têm para o país: criar uma China dentro do mercado europeu. Uma grande fábrica de mercadorias destinadas à exportação, com um mercado interno diminuto (cingido a bens de primeira necessidade para a generalidade da população) e uma mão-de-obra mal-paga, descartável, dócil e ignorante. Esta gente precisa da formação suficiente para produzir sapatos em turnos de 12 horas, apenas e somente. Para que é queremos operários com o 12º ano ou – cúmulo do desperdício! – com um diploma do ensino superior? Para formar a camada intelectual dirigente da sociedade, basta mandar os filhos da burguesia para colégios e universidades privados.

A Via Verde dos imigrantes

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Dada a evidente fuga de malta jovem e qualificada para países onde o seu valor possa ser marginalmente reconhecido, resta às autoridades espelhar o jogo dos Países do Norte ™ e procurar aliciar a imigração de pessoal qualificado para Portugal. A verificar-se esta medida – o que não me surpreenderia, já que é coerente com a natureza ideológica dos dirigentes portugueses – poderemos no futuro congratularmo-nos por sermos a 2ª Liga do fluxo migratório europeu. Não é bem o V Império… mas está lá perto!

Aponto a pertinência da metáfora empregue por Pedro Lomba: o objetivo é permitir, entre outras coisas, uma via verde para obtenção de vistos – evidentemente, apontada aos sempre pertinentes “empreendedores”, os imigrantes que assinam o quadro de requisitos à entrada em Portugal. Os 121 mil portugueses que saíram do país em 2012 bem sabem o quão criterioso o país é com os seus residentes. Portugal como “portagem” (devidamente concedida a uma PPP, aposto) é a imagem de um país-crivo que exporta trabalhadores qualificados e reprime pela exclusão as camadas desapoderadas – prevejo um futuro glorioso, quando bastará um chip na testa para passar no (aero)pórtico, a grandiosa mobilidade empreendedora finalmente atingida.

E quem não tem chip, que se amanhe.