Foto vencedora do World Press Photo 2013 evoca massacre de Gaza

world press photo 2013

Esta é fotografia vencedora do World Press Photo 2013, da autoria de Paul Hensen. Nela figura o cortejo fúnebre de duas crianças palestinianas, de 2 e 3 anos, mortas em Novembro de 2012 por rockets israelitas.

Para uns, são os mais jovens mártires da heróica luta de libertação nacional palestiniana. Para outros, são meros danos colaterais da cruzada sionista.

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Rostos da Resistência

Porque será que a cada dia que passa em Gaza, organizações como a Jihad Islâmica e o seu braço armado, as Brigadas Al-Quds, ganham força entre a população?

A direita mais ignorante, retrógrada e pró-sionista, responderia que os muçulmanos são um povo agressivo por natureza, que o Islão é uma religião violenta e os palestinianos, como que por uma “predisposição natural”, seriam atraídos para grupos políticos como a Jihad Islâmica.

A esquerda pacifista e politicamente correcta responderia com um silêncio incómodo sobre o louvável papel de resistência das organizações islamitas. Isto, se não caminhar pelo criminoso caminho da equidistância, o que as torna, objectivamente, cúmplices da ocupação sionista.

As potências ocidentais – EUA, Reino Unido e União Europeia – consideram tais organizações como terroristas, uma categorização que deriva tão somente do comprometimento das primeiras para com o projecto colonial sionista.

Mas, porque será a população de Gaza atraída para as fileiras da Jihad Islâmica? Se nos movimentarmos do terreno pantanoso da abstracção e da crítica puramente ideológica para o reino da realidade, rapidamente encontraremos a resposta. Porque a Jihad Islâmica, através das Brigadas Al-Quds, exerce um papel que é visto como um dever nacional entre os palestinianos de Gaza: a resistência armada ao ocupante sionista.

Durante a agressão israelita dos últimos dias, as Brigadas Al-Quds abateram um F-16 e um jeep militar israelita junto a uma zona fronteiriça, lançaram 620 rockets a partir de Gaza (40% do total), usaram mísseis antinavio e hackearam 5000 telemóveis de soldados do exército israelita. A facção da Frente Popular para a Libertação da Palestina – Comando Geral (FPLP-CG), por seu lado, explodiu um autocarro em Telavive.

Isto ao passo que a Autoridade Palestiniana deixa cair as reivindicações históricas da resistência palestiniana. Aqui está a raiz do sucesso da Jihad Islâmica.

Mas quem são estes resistentes? Nesta reportagem, Harry Fear dá-lhes um rosto e uma voz. A não perder.

Concentração de Apoio a Gaza – Rossio (Lisboa), Terça-Feira, 20 de Novembro

“Na concentração de sábado passado (17/11) frente à Embaixada de Israel, foi pedido a todos os presentes que aderissem a uma concentração no Rossio, na terça-feira (amanhã) a partir das 15h, concentração essa que se prolongará por toda a tarde, de maneira que quem esteja a trabalhar possa lá ir depois de sair do trabalho.

Os bombardeamentos a Gaza resultaram até este momento em pelo menos 95 mortos, com mais cerca de 660 feridos. O Estado de Israel ignorou completamente as centenas de manifestações espalhadas pelo mundo inteiro que apelavam ao cessar fogo imediato. Continuaremos a exigir o fim da violência e da agressão do Estado de Israel.”

What happens in Gaza, stays in Gaza

Chegam-me de fontes seguras que Israel acabou de bombardear o edifício onde estavam aquartelados os media internacionais, por ex., da Reuters. Obviamente que isto é um alvo “militar”, isto é, corresponde a um objectivo militar de Israel e não é difícil perceber porquê. Já pouca gente cai na ladainha da vitimização israelita e, face a isto, há que calar os veículos de informação o mais rápido  possível. What happens in Gaza stays in Gaza.

Enquanto isso o número de vítimas mortais dos bombardeamentos ultrapassa os 40. Não são estatísticas, são pessoas, e aqui estão os seus nomes.

1- Ahmad Al-Ja’bary, 52 years old.
2-Mohammed Al-hams, 28 years old.
3- Rinan Arafat, 7 years old.
4- Omar Al-Mashharawi, 11 moonths old.
5-Essam Abu-Alma’za, 20 years old.
6-Mohammed Al-qaseer, 20 years old.
7- Heba Al-Mashharawi, six-month pregnant, 19 years old.
8- Mahmoud Abu Sawawin, 65 years old.

9- Habis Hassan Mismih, 29 years old.
10- Wael Haidar Al-Ghalban, 31 years old.
11- Hehsam Mohammed Al-Ghalban, 31 years old.
12- Rani Hammad, 29 years old.
13- Khaled Abi Nasser, 27 year old.
14- Marwan Abu Al-Qumsan, 52 years old.
15- Walid Al-Abalda, 2 years old.
16- Hanin Tafesh, 10 months old.
17- Oday Jammal Nasser, 16 years old.
18- Fares Al-Basyouni, 11 years old.
19- Mohammed Sa’d Allah, 4 years old.
20- Ayman Abu Warda, 22 years old.
21- Tahrir Suliman, 20 years old.
22- Ismael Qandil, 24 years old.
23- younis Kamal Tafesh, 55 years old.
24- Mohammed Talal Suliman, 28 years old.
25- Amjad Mohammed Abu-Jalal, 32 years old.
26- Ziyad Farhan Abu-Jalal, 23 years old.
27- Ayman Mohammed Abu Jalal, 44 years old.
28- Hassan Salem Al-Heemla’, 27 years old.
29- Khaled Khalil Al-Shaer, 24 years old.
30- Ayman Rafeeq sleem, 26 years old.
31- Ahmad Abu Musamih, 32 years old.

At 8:20 am, as a result to an Israeli inhumane attack on Deel Al-Balah, central Gaza, three people were killed. The list of murdered victims goes longer>>>

32- Osama Abdejjawad
33- Ashraf Darwish
34- Ali Al-Mana’ma

At 8:45 am_ 9:00 am, warplanes attacked several places including Rafah, Khan-Younis, and Tal Al-Sultan, southern Gaza, leaving three killed>>

35`- Mukhlis Edwan
36- Mohammed Al-Loulhy, 24 years old.
37- Ahmad Al-Atrush

In a series of attacks on several places on central Gaza at noon, two more people fell victim:

38- Abderrahman Al-Masri

39- Awad Al-Nahhal
40- Ali Hassan Iseed, 25 years old, killed in an attack on his motorbike in Deer Al-Balah, central Gaza, at 8:10 pm, Novebmer 17.

IOF attack another motorbike in Deer Al-Balah at 8:20, leaving two more killed:
41- Mohammed Sabry Al’weedat, 25 years old.
42- Osama Yousif Al-Qadi, 26 years old.

In an attack on central Gaza, to the west of Al-Masdar area, at 9:10 pm, two more people people killed:
43- Ahmad Ben Saeed, 42 years old.
44- Hani Bre’m, 31 years old.

Parece que é preciso repetir mais uma vez: o que se passa em Gaza não é uma guerra, é um MASSACRE!

Parece que é preciso repetir mais uma vez: o que se passa em Gaza não é uma guerra, é um MASSACRE!

Não  há dois exércitos em confronto, há sim um exército genocida,  apetrechado com o armamento mais sofisticado do mundo, que chacina uma população indefesa, a qual, por seu lado, retalia como pode.

A realidade no terreno cala o hipócrita e patético choradinho das “vítimas” israelitas. Ainda hoje lia num jornal finlandês, o Helsingin Sanomat, uma entrevista a uma família de Tel-Aviv, confortavelmente sentada numa esplanada (veja-se lá a “insegurança” que se vive em Israel, ao lado do inferno que cai sobre Gaza a cada minuto), a arrogar-se o estatuto de “vítima”, enquanto afirmava não perceber porque é que o exército israelita não bombardeava Gaza sem deixar pedra sobre pedra. Não há dois lados em conflito, há um agressor e um agredido.

Há que chamar os bois pelos nomes. Os campeões da “objectividade” e da equidistância não passam de cúmplices dos crimes de Israel. A minha posição não pode ser outra senão apoiar as acções de resistência palestiniana, sejam elas pacíficas ou militares. Bem sei que os israelitas não são todos iguais e grande parte deles condena o massacre. Mas deveriam também perceber que a única resolução possível para a Palestina não é uma paz podre e um estado palestiniano económica e territorialmente inviável. A única resolução definitiva seria a derrota incondicional de Israel e o desmantelamento do enclave colonial.  O resto é conversa.

Massacre =/= Guerra

Para que conste: o que acontece neste momento em Gaza é um massacre indiscriminado dos palestinianos, não uma “guerra” ou uma “escalada de violência”. Não houve provocação nenhuma por parte do Hamas e não existe um exército regular em Gaza para defender a população, muito menos com tecnologia militar ao nível do exército sionista. Enquanto o Público teima em caracterizar os acontecimentos como um conflito entre iguais, o Sol pinta o conflito como uma agressão palestiniana (!) e a Euronews reporta o “cerco” imposto sobre a cidade sul-israelita de Ashkelon, o que realmente acontece é mais uma agressão genocida sobre a população palestiniana. Os “rockets” artesanais lançados de Gaza são tão-somente uma resposta precária, mas legítima, à agressão israelita. Chega de distorção mediática!

P.S: Reagindo à notícia do Sol, é tristemente cómico ouvir Israel, estado genocida e verdadeiro elemento “desestabilizador” no Médio Oriente, falar em “brandura” por parte da ONU face aos “ataques” palestinianos. A mesma ONU que legitimou a colonização sionista em primeira instância e fecha sistematicamente os olhos aos crimes do sionismo, convém recordar.