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.Teatro das operações – autárquicas em Moçambique.

– quase dois anos cá a viver, trabalhar – primeiras eleições que vivemos cá.

– o vídeo apresentado é de hoje, em Quelimane: as FIR (Força de Intervenção Rápida) disparam tiros e gás lacrimogéneo contra a população em festejo pela eleição do candidato da oposição, MDM.

Votou-se na quarta-feira, a 20 de Novembro de 2013, cerca de 3 milhões de recenseados deverão votar (em 24 milhões de nacionais). A Renamo – principal partido de oposição desde a independência do país – não vai participar nas eleições pelo facto de o enquadramento legal não prever paridade de representação na Comissão Nacional de Eleições.

A Renamo também é aquele partido, grupo, que tem estado no teatro de operações do conflito que estalou há quase um mês atrás – desde que a mesma foi alvo de uma acção militar perpretada pelo exército a mando do actual governo – este último, justifica essa acção pelos factos que se foram verificando pelas acções levadas a cabo pela Renamo contra civis e infraestruturas próximas da Gorongosa.

Na cena política existe um partido novo e jovem – o MDM, Movimento Democrático de Moçambique, que faz oposição à instituída Frelimo (partido conhecido pelo papel de resistência e construção da independência do país – partido de diferentes facetas: do Mondlane, Samora, Chissano ao actual presidente Guebuza). São 53, o número actual de municípios deste vasto Moçambique. Já no próprio dia das eleições, o processo não é pacífico, ou isento de polémicas de maior – relatam-se episódios de detenção de delegados / observadores do partido da oposição pelo facto de denunciarem, eles próprios, episódios de fraude grave no norte do país. O MDM já tinha ganho anteriormente os municípios de Quelimane e da Beira – dois importantes pólos urbanos do país (a Beira é a segunda maior cidade do país).

Mas o dia de eleições não traz novidades, decorre como o habitual e com algumas nesgas de informação que denunciam o atropelo ao idealístico exercício democrático de votação. Denunciam os ‘convenientes’ cortes de energia e comunicações na altura de contagem dos votos – que permitem manobras nas sombras. É difícil saber o que se passa neste imenso país – há censura e auto-censura pesadas. Muito do que se sabe chega através dos corajosos cidadãos que enviam relatos e provas fotográficas para plataformas como o Jornal A Verdade () e o Canal de Moçambique (). Muito por isso, não escrevo desde a minha chegada ao país.

Hoje não penso nisso. Hoje é um dia pesado de desgosto e revolta. São muitos os acontecimentos relatados que nos chegam e são difíceis de digerir – não por falta de aviso (não somos ingénuos), mas porque partilhamos a indignação de quem já não suporta o abuso instituído e exacerbado nestes dias especiais que só se voltam a repetir daqui a 5 anos.

As populações residentes em Quelimane e na Beira, para garantir que os seus votos (resultado de uma longa espera debaixo de sol escaldante) não seriam em vão, ficaram vigilantes junto às urnas após ao fecho das mesmas – verificado às 18 horas.

Povo corajoso.

Sem medo das ordens da polícia que os mandava, enxotava, para casa e longe dali. Não arredaram pé até que os resultados fossem apurados e chegando mesmo a fiscalizar viaturas a fim de apurar se não estariam a ser transportados votos falsificados para serem inseridos após o fecho das urnas (coisa que acontece habitualmente – no próprio dia de votação apanharam algumas pessoas na posse de muitos boletins de voto para serem inseridos indevidamente nas urnas).

Publicados os editais exigidos por lei – Quelimane e Beira celebram os candidato eleito – do MDM, que já cumpriu o anterior mandato. No entanto, a Comissão Nacional de Eleições, até a esta hora, não publica os resultados a nível nacional, não desejando confirmar a vitória comprovada pelos editais publicados naqueles municípios.

Entretanto, temos notícias de três mortos (assassinados pelas Forças de Intervenção Rápida, FIR) durante a noite de ontem em Quelimane – no sentido de afastar a população do local onde se estava a efectivar a contagem dos votos.

Hoje, chegam-nos relatos de mais uma morte – as mesmas FIR perpetraram o acto com um tiro na cabeça – de um jovem que se encontrava a celebrar a vitória do MDM em Quelimane e junto ao candidato eleito – coincidência?

Pelo vídeo acima exposto, podemos verificar o acto aterrorizador das FIR contra a população de Quelimane que festeja a vitória do MDM – disparando balas e lançando gás lacrimogénio -, enquanto passa à frente da residência do Governador, filiado no partido oposto, Frelimo.

Entretanto ainda, existem dois pontos de situação relativamente aos resultados de todos os outros municípios: aqueles em que a Frelimo ganha e a Comissão de Eleições torna público esse resultado & aqueles restantes em que o panorama é renhido e temem ‘alguns’ que o MDM assuma o poder local – nestes últimos arrasta-se o processo com manobras que não são conhecidas do grande público. Caso paradigmático e essencial é o caso do município de Maputo – a contagem dos votos depositados no centro da cidade (cuja contagem foi amplamente vigiada e acompanhada) davam vitória ampla ao candidato do MDM; a contagem dos votos depositados nos subúrbios já ‘apresentava’ uma vantagem para o candidato da Frelimo (onde a contagem já não foi divulgada e amplamente escrutinada – não haverá fundamento para as devidas suspeitas?)

Não esquecendo que a perda do poder local a favor da oposição é algo improvável nos planos do partido instituído, como oportunamente foi referido por Paulo Granjo no 5dias: “Havemos de ganhar, nem que corra sangue.” # Afirmação proferida em campanha pela coordenadora central da campanha eleitoral da Frelimo na província da Zambézia + Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo.

É este o teatro de operações das autárquicas Moçambique, 2013. Qual será o das presidenciais, 2014? A tanto não nos ousamos a prospectar, dado que o dias de hoje já são bem duros e incertos – acompanhemos.

A quem interessar acompanhar, a par e passo, o processo:

# Jornal A Verdade

# Facebook do fundador do Jornal A Verdade

2 thoughts on “.Teatro das operações – autárquicas em Moçambique.

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