Acordos com o PSD? Nem na Junta de Freguesia de Ranholas de Baixo!

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Ao longo de toda a campanha para as Autárquicas, a CDU reiterou a dimensão nacional do acto eleitoral e chamou à penalização dos partidos da “troika interna”. Quando chegou a altura de analisar os resultados, retirou conclusões nacionais, ao afirmar que a hecatombe eleitoral do PSD era nada mais, nada menos, do que um gigantesco cartão vermelho ao Governo. E tinha toda a razão em fazê-lo. O que torna ainda mais difícil perceber como a CDU de Loures se alia agora ao PSD em nome das “particularidades locais” e da “pluralidade democrática” (atente-se que não uso a expressão “coligação”, para não ferir susceptibilidades nem reduzir o debate a uma questão de semântica).

Obviamente que existem particularidades locais. Ainda assim, a parte é parte sem deixar de ser uma fração do todo. Ora, não é o PSD/Loures parte do PSD nacional? Não é o PSD/Loures parte do partido que lidera o governo mais neoliberal da história da democracia portuguesa? Não é o mesmo partido que toma o país de assalto com uma política de austeridade destrutiva? Não representa ele os mesmos interesses? Então, quais são as “particularidades” que tornam o PSD/Loures diferente do resto? Quais são os “pontos em comum” entre os programas autárquicos das duas coligações?

Outros fundamentam a decisão da CDU numa defesa intransigente da “pluralidade democrática”. Mesmo abstraindo-me do facto que o acordo abrange o principal partido de um Governo avesso à legalidade democrática tal como se encontra estabelecida na Constituição, a pluralidade democrática reflecte-se no debate eleitoral; reflecte-se no confronto de programas, sendo lógico que o programa vencedor tem de ser aplicado. Reflecte-se no enfrentamento de alternativas, que são sufragadas pelo eleitorado. Aliar-se à direita implica dar-lhe espaço para implementar um programa que obteve os votos de uma reduzida minoria da população.

A verdade é que este conceito de “pluralidade democrática” tresanda a um ensaio local da malfadada ideia do “governo de salvação nacional”, isto é, uma junta Bonapartista que reúna no executivo todas as forças partidárias, encabeçadas por uma “individualidade de reconhecido mérito”. Como se não bastasse, justifica-se este acordo fazendo uso da mesma desditosa terminologia com que nos impingem o consenso podre que nos rege hodiernamente: “rigor”, “responsabilidade”, etc…

Não conheço em primeira mão a realidade de Loures e reconheço que seria tarefa complicada governar a autarquia com maioria relativa. Mas e quem disse que fazer política (tanto local, como nacional) contra a austeridade eram favas contadas? Em vez de apoiar-se no PSD, não seria preferível apoiar-se na base social que sustenta a CDU/Loures, mobilizando-a para pressionar os vereadores da direita, incluindo os do PS? Não seria preferível apoiar-se nos cidadãos que desejam a mudança, aqueles que a CDU/Loures refere no seu comunicado, não só os que votaram na CDU, mas até os que se abstiveram ou votaram noutras forças partidárias, como o PS? É que, tendo em conta os 16% que o PSD teve nas eleições, tenho sérias dúvidas que o “desejo de mudança” dos lourenses fosse nesse sentido.

Seja como for, e pese a minha ignorância das “particularidades locais” de Loures, de uma coisa estou mais do que certo: acordos com o PSD, nem na Junta de Freguesia de Ranholas de Baixo!

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