Uma questão de classe (IV)

A Saúde e a Educação são áreas com demasiado potencial lucrativo para ficar fora do alcance do mercado. O Grupo Mello Saúde, um dos principais beneficiários da privatização dos serviços de saúde, definiu o sector como “o negócio do século XXI”. Assim, o Governo Passos Coelho continua e concretiza o vetusto sonho da direita portuguesa: a destruição do SNS e a privatização da prestação de serviços de saúde.

Tanto a Saúde como a Educação são sectores sob um garrote orçamental desde há muito tempo, com as transferências do Estado a minguar de ano para ano, o que contribuiu para o endividamento do SNS, a degradação dos serviços que ele presta, bem como a deterioração do ensino público.

Este OE não é nenhuma originalidade. O Ensino Básico e Secundário vai sofrer cortes na ordem dos 8%, o Ensino Superior 4% e a Saúde 3,8%. Estamos a falar de sectores que funcionam com inúmeras anomalias mesmo com os níveis de financiamento actuais. Como em todo o sector público, o grosso deste sub-financiamento vai incidir sobre a redução de pessoal e cortes nos salários. Não é apenas o futuro dos profissionais do sector que é posto em cheque, mas da esmagadora maioria da população que depende destes serviços para aceder a tratamentos médicos ou a uma formação profissional de qualidade.

Mas será que toda a gente perde com esta investida governamental sobre a Saúde e a Educação? Claro que não. Também aqui, o Governo imprime um toque da sua classe.

Os proprietários de estabelecimentos de ensino privado são dos poucos que não se podem queixar deste OE, visto que as transferências orçamentais para este negócio vão subir. Por outro lado, os gastos com as PPP’s, grande parte dos quais tendo lugar precisamente no âmbito da Saúde, vão duplicar no próximo ano. Portanto, com a destruição da Saúde e Educação Públicas, ganham os mesmos de sempre: a banca e os grupos económicos parasitas, que vivem à custa da teta do Estado.

One thought on “Uma questão de classe (IV)

  1. A seguir virá o desmantelamento da Segurança Social, um negócio altamente rentável para entregar às seguradoras, completando-se assim a destruição do Estado Social, cuja importância é fundamental, não só pelos serviços que presta à população, mas também pelo efeito calibrador da distribuição da riqueza, atenuando as desigualdades sociais. Não consigo imaginar este país sem Estado Social. Se isso vier a acontecer, Portugal regressará aos níveis de pobreza dos anos 30/40 do século passado.

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