O governo que gostava de governar contra a constituição

cavaco passos demitam

Hoje assistimos a mais um episódio do governo que todas as noites sonha com a sua revisão constitucional tamanho familiar. Ainda não foi ontem, nem será hoje, que a democracia será suspensa, para tristeza de alguns.

Pedro Passos Coelho mostrou hoje a sua face mais rasteira, vingativa e anti-democrática. Hoje esforçou-se para tentar mostrar a figura de um político que não erra e que está cheio de certezas, mas que no fundo está completamente desorientado. Para quem ouviu o discurso, e não tenha o mínimo de conhecimento sobre o passado recente de Portugal, certamente ficou com a ideia de que:

– Tudo estava a correr bem, recuperámos a credibilidade externa! Apesar da recessão, do crescimento brutal do desemprego, da quebra do consumo interno, da quebra de receitas fiscais e do aumento da dívida externa.

– Já tínhamos conseguido antecipar o regresso aos mercados e os credores externos andavam bastante satisfeitos connosco.

– Tudo estava a correr dentro do planeado e a curto prazo Portugal ia entrar numa curva de crescimento.

Passos Coelho decidiu apontar o Tribunal Constitucional como o mau da fita, tratá-lo como um agente do terreno político, um agente da oposição e por fim como o verdadeiro responsável pelo terramoto político que se avizinha. Pedro Passos Coelho fez aquilo que os governos fazem em países onde a democracia não é mais do que uma palavra oca, mostrar desprezo pela justiça e pela constituição.

Pedro Passos Colho e os membros do governo demonstraram que não passam de um bando de cobardolas, que não têm a coragem política de assumir que seguiram o caminho errado.

Alguém que explique aos membros do governo, como se fossem crianças de 5 anos, que:
– a Constituição da República não pode simplesmente ser suspensa quando convém a alguém;
– o Tribunal Constitucional não é um fantoche ao serviço do governo;
– o Tribunal Constitucional não tem de opinar ou decidir com base naquilo que o governo acha que é o “interesse nacional”;
– não é a constituição que tem de se adaptar à política governamental, mas sim o governo que tem de governar no enquadramento que a CRP lhe permite.

O Governo e o Presidente da República estão encurralados, o governo porque já vai no 2º orçamento inconstitucional e o Presidente porque promulgou ambos, e como qualquer “animal ferido” irão retaliar. Passos Coelho já deixou hoje a ameaça que irá atacar a Saúde, Educação e Segurança Social – o coração do Estado Social.

O caminho nunca poderá ser esse, como os factos recentes o têm demonstrado. Austeridade conduz a desemprego, recessão, empobrecimento e crescimento da dívida.

Mais do que nunca, Cavaco e Passos são as duas faces da mesma moeda. Obviamente, demissão já!

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