Filha, o Sebastião voltou. Está a bater à porta.

Imagem# Os últimos episódios da novela política portuguesa são especialmente dramáticos – à boa maneira da receita de novela. Enquadrando-se e rebuscando o habitual personagem da cultura daquele cantinho – o Sebastião, o desejado.

| O ‘desejado’ faz o que bem entende, no entanto, a ‘malta’ gosta dele. Quando ele nos ‘chefiava’ ele não era tão mau assim, o actual é bem mais mauzinho. O nosso Sebastião ainda ‘tentou’, era amiguinho e nem havia austeridade – este, agora, é que é mau, trouxe a austeridade toda de uma assentada. |

:: E contam-me de lá, alguns, muitos, ‘amigos’ em Portugal:

‘Ah, tudo bem, o Sebastião ainda assinou lá aquele documentozito com os estrangeiros – não me lembro muito bem em que consistia – mas na altura a coisa, se o deixassem governar e se os maus não o tivessem raptado para Paris, obrigando-o ao exílio, éramos capaz de nos safar com ele. Ele fala bonito – falava já antes, e agora que voltou, desvaneceu todo este nevoeiro em que estávamos envoltos – fala ainda melhor e eu fico embalado.

Ah, sim, ainda sinto a vida humildezinha a esmagar-me, a encostar-me à depressão diária – ah, mas quando o ouço falar até vejo uma luzinha a iluminar-me o caminho. Como aquela velinha que acendo para os santinhos.’

A jovem Ana – não digo o nome verdadeiro para a proteger – conta que o Sebastião ‘batia’ um pouco na malta:

‘Mas este, que escolhemos para nos ‘vingarmos’ do nosso amado Sebastião, ainda nos bate mais!”

Continua…

“Mal por mal, vou escolher o mal que me parece mais levezinho. O ‘ex’, ao menos, dirigia-nos umas palvrinhas de carinho e até nos dava uns presentinhos para pedir perdão. Ah, e que bem que ele fala, até sonho, até saio daqui. E agora é, cada vez ‘mais’, um homem de sucesso!

# A lengalenga da novela continua, sem muitas variações na receita. Assistimos: uns – deleitados com o enredo – é isso mesmo, vai por aí; outros – caramba mulher/homem! Não vês que ele(s) estão a fazer-te de parva(o)? Bate com a porta, não abras! Tens essa opção! Manda-os fora da tua vida e define o teu caminho. Sê forte, não sejas preguiçosa(o)! ~Normalmente estes últimos têm necessidade de falar mais, dado o nível de frustação em ver a mesma novela repetida vezes sem conta~

Eu estou entre estes últimos, não apenas grito a mensagem como já decidi fechar a porta há muito tempo. Como é que mudamos a novela de miséria se nem a porta conseguimos fechar?

E aí está, Sebastião e ‘mauzão’ actual’, fechei-vos a porta – aqui não entram porque decidi que a minha vida é decisivamente melhor sem a vossa interferência, sequer a vossa presença. Só desajava que a minha ‘família, amigos, conhcidos, etc.’ tivessem a inteligência e a força de fazer o mesmo, mandando-vos de volta para as brumas mais profundas, de onde nunca deviam ter saído, ou para onde devem ser encaminhados.

Antes de me ir deitar, ainda me liga uma velha amiga lá de Portugal, tentando – pensando ela – me consolar: “Filha, ninguém é perfeito. O mundo é assim.”

# E o episódio acaba por hoje, como habitualmente, com sabor amargo da repitação da frustação de ver a vítima cair sempre na mesma esparrela – e com uma claque gigante, género tsunami, a apoiar o caminho de desgraça. E dá uma tentação enorme de parar de tentar ‘alertar’ aquela gente. Mas não viram as outras novelas?!

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