Demissão, já!

demissão

Ninguém me “passou a bola”, mas como toda e qualquer acção que contribua para precipitar a queda deste governo, por pequena que seja, desde a partilha de um texto num blogue até à participação numa manifestação, é não só preciosa mas necessária, aqui segue o meu modesto contributo.

Não vou enveredar pela linha de raciocínio de grande parte dos textos publicados nesta corrente. Não acho que este governo seja incompetente ou irresponsável, como já asseverei num texto anterior. Passos, Gaspar, Relvas, Portas e restante quadrilha receberam nas suas mãos um encargo muito simples: salvaguardar o capital financeiro, português e europeu, dos efeitos nefastos da crise capitalista; manter em movimento a renda da dívida pública; abrir novos mercados através de um amplo processo de privatizações; desregular os vínculos laborais e descer salários, para intensificar a sobre-exploração dos trabalhadores; não permitir o afrouxamento da taxa de acumulação de capital.

Para atingir estes objectivos é necessária uma política de depauperação e desemprego? Pois que o seja. E, sejamos justos, este governo tem cumprido o seu mandato de forma exemplar.

Não é, pois, pela alegada incompetência deste governo que exijo a sua demissão. É, bem pelo contrário, pela notável eficiência com que tem cumprido a missão que recebeu das mãos da troika. É pelo facto de o seu programa político real (em contraposição ao eleitoral) ir contra os interesses da esmagadora maioria dos portugueses. E são estes que têm a responsabilidade de o demitir nas ruas, radicalizando o protesto, o qual deverá ser focalizado nos espaços de poder, isto é, a Assembleia da República e o Palácio de Belém, como já foi aflorado pelo Pedro Viana.

Mas a demissão deste governo não poderá ser o culminar deste processo reivindicativo, mas tão somente o seu primeiro passo. Também a troika e os partidos que a sustentam, incluindo o PS, devem ser liminarmente derrotados, nas urnas e na rua. Para tal, são necessárias novas formas de organização e de luta por parte dos trabalhadores, estudantes, desempregados, emigrantes, imigrantes, militares, e todos os sectores lesados pela ofensiva neoliberal. É necessário, ademais, um entendimento entre as forças políticas de esquerda, de forma a que ponham de lado as suas desavenças e se constituam como uma alternativa de poder, algo que não têm sido até agora, o que sempre beneficiou a lógica do “voto útil”, tão habilmente explorada pelo PS.

Depois de ter entrado, algo furtivamente, no jogo, passo a bola ao Renato Teixeira e à Raquel Varela, ambos do 5dias, bem como ao Miguel Tiago, do Kontra Korrrente. Além dos meus camaradas de blogue, está claro.

2 thoughts on “Demissão, já!

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