A austeridade não resulta? Ai, resulta, resulta…

Recapitulemos os mais recentes dados: a taxa de desemprego aproxima-se dos 19%, o PIB desce 2,3%, o défice está perto dos 6,6% e a dívida anda pelos 123,7% do PIB.

Portanto, o Governo falhou em tudo aquilo que nos diziam ser os objectivos da política de austeridade. A direita irá continuar a mentir-nos, ao dizer que o crescimento virá mais tarde, e a esquerda irá alardear a justeza das suas posições e o falhanço da austeridade.

Mas terá a austeridade mesmo falhado? Eu acho que não. Bem pelo contrário, ela está a cumprir exactamente o que exigiam dela, que é alimentar a gula da alta finança. Óbvio que o Governo nunca iria dizer que esse é o seu propósito fundamental, mas essa é a mais pura verdade.

O grande capital necessita da recessão, isto é, da contenção de custos com o trabalho e da queda da produção, para manter a taxa de acumulação. Assim se verificou em todas as crises cíclicas do capitalismo global. Por outro lado, as privatizações abrem novos e lucrativos mercados à burguesia e a austeridade serve tão-somente para canalizar todos os recursos do Estado para o pagamento da dívida.

Com efeito, a austeridade funciona muito bem. O problema é que não somos nós, trabalhadores, quem dela beneficia.

E eis que já se prepara mais um ataque à classe trabalhadora, com o despedimento de 20 mil funcionários públicos, metade dos quais professores. A isto, só devemos responder com organização, unidade e radicalidade na luta. Já não vamos lá com guerras de gabinetes e procedimentos parlamentares.

Há que radicalizar. Há que estimular uma crise política sem precedentes para inverter este rumo. Há que romper o memorando. Há que exigir aumentos de salários, mas não para pagar a dívida, como diz Arménio Carlos. Há que exigir uma verdadeira política de crescimento e de emprego, que só pode ser atingida através da nacionalização e socialização dos sectores centrais da economia, a par da nacionalização da banca, porque o capital privado nunca irá empreender uma política de investimento e de criação de emprego na conjuntura actual. Há que suspender o pagamento da dívida, pois não são os trabalhadores portugueses que devem pagar os desmandos de uma camada cleptocrática que se reveza no poder há mais de trinta anos. Há que organizar os trabalhadores portugueses em estruturas de base combativas, que retirem a hegemonia aos partidos e sindicatos burocratizados e acomodados ao regime democrático-liberal.

Há que lançar as sementes de um outro Abril. Como dizia um velho mural do extinto PRP-BR:

Fora com a canalha, o poder a quem trabalha!

mural-II

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