1,4 milhões de desempregados portugueses, fixem estes nomes: Paulo Júlio e Tiago Ramalho

Estes dois economistas a soldo dos ministérios da economia e das finanças desvendaram a solução para o retorno dos desempregados ao mercado de trabalho: cortar nos subsídios de desemprego dos mais velhos.

Que importa que esse subsídio corresponda ao dinheiro descontado do vencimento dos trabalhadores ao longo de anos, tornando os desempregados, objectivamente falando, em credores do Estado? Mero detalhe, que nem uma nota de rodapé merece, quando é um dado adquirido, aos olhos destes dois senhores, que o subsídio de desemprego consiste, bem pelo contrário, num “desincentivo para o regresso ao mercado de trabalho”, o qual “leva a uma relativa demora na transição para o emprego”, sendo que, por sua vez, a retirada deste direito funciona como “incentivo para procurar um emprego”.(1)

Sim, da mesma forma que uma chicotada no lombo de um escravo o motiva a ir apanhar algodão.

Ora, estes iluminados não ignoram que uma das principais causas para este fenómeno é o nível dos salários em Portugal, que atingiu um nível tão baixo face ao subsídio de desemprego que “a compensação pelo trabalho não é motivadora”. Obviamente que, quando o nosso objectivo é “chinezizar” a economia portuguesa, está fora de questão um aumento geral dos salários, da mesma forma que a procura de outras soluções para o desemprego, como, por exemplo, a redução da semana de trabalho, é pura quimera.

Enfim, para não me alongar mais, ponhamos os pontos nos i’s e traduzamos o economês para português: caros desempregados portugueses, o que estes prezados senhores estão a dizer é que vocês são um bando de preguiçosos que poderiam regressar ao mercado de trabalho quando melhor vos aprouvesse. A única coisa que vos impede de o fazer é o facto de estarem em casa de rabo sentado no sofá a auferir dinheiro fácil da segurança social. Nem mais, nem menos.

Vamos lá sair à rua dia 2 de Março  e marchar contra todos os Paulos Júlios e Tiagos Ramalhos de Portugal?

(1) As hiperligações nas citações do estudo de Paulo Júlio e Tiago Ramalho reenviar-vos-ão à página do Gabinete de Estratégia e Estudos. Lá, poderão aceder ao estudo em formato pdf, intitulado Subsídio de Desemprego e Transição para o Emprego

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