Fogo de vista, Beatriz Talegón?

Quando vi o famigerado vídeo do discurso da secretária-geral da União Internacional de Jovens Socialistas, questionei-me sobre como teria um espírito tão espevitado chegado a um lugar tão cimeiro da organização. Todos sabemos que, com a crescente profissionalização da política, particularmente em estruturas burocratizadas como estas, os mais críticos nunca ou raramente chegam a posições de chefia. Pelos vistos, um antigo camarada de Beatriz Talegón já deu uma esclarecedora chave para a interpretação do seu inflamado discurso:

“À propagação do vídeo de Cascais, os cibernautas da esquerda não afecta ao PSOE está a responder com a carta aberta que Julián Jiménez, um antigo dirigente local da Juventude Socialista espanhola, dirigiu a Beatriz Talegón nesta terça-feira. O professor de 29 anos acusa a antiga companheira no Partido Socialista espanhol – que abandonou em 2009, em desacordo com o rumo político do Executivo de José Luis Zapatero – de estar apenas a autopromover-se.

Num longo texto, Jiménez lembra que, quando em 2009 se apresentou publicamente com um discurso de teor idêntico ao de Talegón, foi criticado dentro do PSOE, incluindo pela própria Beatriz, que depois o terá acusado de “deslealdade” após a dissidência. “Ao ouvir-te hoje, querida Beatriz, não pude deixar de me lembrar daqueles comentários que deixaste na minha rede social quando tomei aquela decisão”, escreve. “Aqueles em que falavas de lealdade, de que ser socialista era defender a política do PSOE quer gostes ou não, de que criticar o que agora criticas tu era deslealdade.”

“Queria acreditar em ti, cara ex-companheira, mas não posso fazê-lo. Creio recordar que trabalhavas então em Bruxelas, para o partido a nível europeu. Por que não foste rebelde naquele momento? Quem conhece o podre funcionamento do PSOE sabe que um rebelde nunca chega a um cargo de tanta responsabilidade como o de dirigente da União Internacional de Jovens Socialistas”, atira Jiménez, enumerando depois um conjunto de críticas aos últimos anos do governo socialista e os entendimentos com o PP de Rajoy.

O jovem activista diz acreditar “sinceramente” que o discurso de Talegón é “mera pose” dirigida aos “incautos de boa-fé”, para que vejam nele “um ar fresco que, honestamente, não existe no PSOE”.”

Das duas, uma. Ou a apparatchik Beatriz fez uma auto-crítica levada da breca ou a afogueada arenga de Cascais não passa de uma elaborada trapaça para lavar a cara do PSOE e restantes partidos “socialistas” irmãos.

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