Nesta quadra festiva, haja Amor, mas não falte a Guerra

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Na sua demanda pela aplicação do programa ultraliberal no território português, a junta ditatorial formalmente conhecida por Comissão Europeia não desafina na definição dos alvos a abater num futuro próximo: primeiro, os trabalhadores da Função Pública, bombo da festa dos sucessivos governos PSD/CDS/PS na hora de demonizar um sector profissional; segundo, a Constituição da República, último reduto legal de um poder político realmente “político” (em contraste à despolitização crescente dos órgãos de soberania e usurpação do poder decisório por tecnocratas sem rosto nem legitimidade democrática), além de texto consagrador de uma série de direitos que causam urticária à cleptocracia de Bruxelas.

Sinceramente, não sei como é possível os trabalhadores dos escalões salariais mais baixos da Função Pública sofrerem ainda mais cortes no seu já minguado rendimento, num contexto de um processo de pauperização e disrupção social sem par na história da democracia parlamentar portuguesa. Num país onde se passa fome e se luta quotidianamente pela sobrevivência, tal medida será uma autêntica declaração de guerra, a qual, na minha perspectiva, deve ser aceite pelos trabalhadores portugueses e levada às últimas consequências.

Só a vontade de poder colectiva poderá apear os plutocratas do poleiro e derrubar uma oligarquia convencida que pode humilhar impunemente os trabalhadores europeus.

Nesta quadra festiva, como de costume, não escassearão as mensagens a apelar ao amor ao próximo e à solidariedade, a maior parte delas absolutamente inócuas, difusas, senão hipócritas. No entanto, o maior acto de amor que os trabalhadores portugueses poderão demonstrar nos próximos tempos é o da união mais estreita contra as Troikas – a externa e a interna – numa guerra sem tréguas. É um conflito social, de fundo económico-político, mas não exclusivamente.

É uma guerra total e, como tal, um confronto de valores. Apenas a capitulação incondicional do capital financeiro no campo político trará não somente a quebra da sua hegemonia económica e social, mas também a substituição da ética do lucro, da usura, do individualismo sem escrúpulos, por valores como a solidariedade, a honra ou o comunitarismo, alcandorados, deste modo, ao estatuto de moral normativa dominante.

Até lá, que ninguém abandone o seu posto.

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