Renegociar o que é ilegítimo?

Bem sei que a esquerda exultou com este relatório da ONU e penso que ninguém nega que seria um mal menor, quando comparado com a situação actual. Penso que também é cada vez mais claro que, para pagar a dívida, é necessário renegociá-la. O que não quer dizer que a austeridade tenha fim ou que os usurários façam qualquer sacrifício altruísta em prol do povo português. Basta ver o que foi o “perdão” da dívida na Grécia.

Renegociar a dívida com a troika teria dois resultados menos óbvios, mas não desprovidos de importância. Primeiro, legitimaria uma dívida ilegítima, pelo menos na sua maior parte. Uma dívida contraída por décadas de governação ruinosa de uma casta dirigente ignóbil, dobrada aos ditames do eixo Berlim-Bruxelas. Segundo, “romper o memorando”, como defende alguma esquerda, implica não reconhecer legitimidade política a um poder externo, anti-democrático e usurpador da soberania popular. Logo, implica recusar qualquer negociação com essa entidade e reivindicar a sua expulsão imediata do território português. Nem mais, nem menos.

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