O estranho caso do protesto que não afecta ninguém

Passos Coelho decidiu agora que existem dois tipos de pessoas: os “protestantes” e os “portugueses”.

Os protestantes são aqueles que, malandros, aproveitam-se de uma falha grave da constituição que lhes permite fazer barulho na rua e incomodar os portugueses. Passos Coelho, magnânimo que é – e um homem de Lei! – respeita a constituição e os direitos nela consagrados, mas salvaguarda: podeis protestar, mas façai-o de forma a que não incomode nem Primeiro Ministro, nem Governo nenhum (!).

Estranha situação, portanto, esta do protesto cómodo. Provavelmente é uma nova definição que veio a bordo do último acordo ortográfico (eu ando a reler o dicionário, palavra a palavra, mas ainda só vou na letra M), porque eu garantiria que o protesto é algo direccionado – e que incomoda!

Obrigado, portanto, senhor Primeiro Ministro, por nos esclarecer este imbróglio. Da próxima vez, já sei onde me hei-de queixar – longe de tudo e todos, onde ninguém me possa ouvir, que é para não incomodar os portugueses. Exactamente como está consagrado na constituição.

PS: Ainda dando mostras do seu altruísmo e como é um homem de palavra, Passos Coelho decidiu não confrontar os protestantes à porta da Bosch, assumo eu para que estes não se encontrassem no imprevisto de protestar à frente de um Primeiro Ministro. Coisa que, como vimos, é inconstitucional.

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