Sondagens na Grécia

Segundo as mais recentes sondagens gregas, o KKE já começou a sofrer os danos derivados da sua posição sectária. Quer os comunistas gregos gostem ou não, as sondagens denunciam que a esquerda “folclórica” (expressão usada pelo Miguel Tiago no seu perfil de Facebook, aplicada ao Syriza) soube interpretar os anseios das massas, ao contrário dos primeiros. Uma prova adicional de que o compromisso dos trabalhadores gregos se centra no derrube da Troika. Esperemos que a esquerda retire ilações destes dados e que a autocrítica ainda seja um dos principios fundamentais de uma política marxista (sim, estou a apontar o dedo ao KKE).

3 thoughts on “Sondagens na Grécia

  1. Você fala como se o futuro estivesse já escrito. Não há necessidade de analisar as real possibilidade de desenvolvimento da luta de classes. Os comunistas não disseram o que o povo queria ouvir, foram burros, e desceram. Os Siriza foram espertos porque “soube interpretar os anseios das massas”, e como tal têm futuro. Como os primeiros são obviamente os burros, agora têm de fazer a auto-crítica. É difícil fazer uma apreciação mais cretina da realidade…
    Os dados estão lançados, o PCG e o Siriza puseram as suas tácticas eleitorais em jogo. O Siriza muito provavelmente vai formar governo depois das próximas eleições, pois está com uma enorme força das sondagens. O que irá acontecer a seguir revelará muito acerca do que esse partido é realmente, bem como da correcção (ou incorrecção) da táctica do PCG.
    Depois então será a hora de fazer a auto-crítica.
    Que coisa mais superficial, medir a qualidade de uma estratégia pela quantidade de votos obtidos.

    • Curioso. Diz-me que “Não há necessidade de analisar as real possibilidade de desenvolvimento da luta de classes” (o que é falso, pois a linha política de um partido revolucionário deve-se basear em caracterizações da situação actual e possibilidades de desenvolvimento futuro, senão teríamos um partido míope), mas, logo a seguir, já sabe que o Syriza vai formar governo, o que não pode acontecer sem o apoio do KKE (pelo menos, um governo anti-troikista). Desta forma, o Syriza depende do KKE para aplicar um programa que poderia por termo à ditadura troikista, dependendo do conteúdo desse programa, logicamente. Eu não tenho demasiada confiança no Syriza como força política, nem sei se levará o seu programa às últimas consequências. Mas propô-lo à esquerda. Desprezar isso, recusar uma mera reunião, não só é sectarismo doentio, como é cegueira. O KKE podia, e deveria procurar convergências e forçá-lo nesse sentido. Aliás, a parte central do jogo iria-se jogar nas ruas, pois seriam as próprias massas a pressionar o governo de esquerda a cumprir o seu programa e, quer cumprisse, quer não, haveria um avanço significativo na mobilização e organização popular, onde o KKE assume um papel preponderante. Mas não, prefere manter-se no posto, esperando que o Syriza forme governo com os troikistas (é isso que deixou implícito no seu comentário), para que capitule, ficando tudo na mesma, só para ver quem tem a pilinha maior. Enquanto isso, o desemprego sobre, a miséria alastra-se.

      Agora, explique-me lá, qual das cinco medidas que o Syriza pôs na mesa, expostas num post meu anterior, o KKE deveria se demarcar? Isso é o cerne da questão e ainda não recebi uma resposta coerente de um comunista português sobre isso. Porque o Syriza é “folclórico”? Poupem-me. Se for possível uma convergência, se for possível “empurrar” o Syriza e forçá-lo a assumir o compromisso que fez na campanha eleitoral, há uma real oportunidade de apear a Troika do poleiro. Haveria uma real possibilidade de inverter a miséria. Ignorar isso, é sectarismo. Perseverar nesse erro é cretinismo e idiotice. É estar a borrifar-se para o melhoramento das condições de vida dos gregos. Espero que a esquerda portuguesa, quando surgir a oportunidade, não caía na mesmo cretino erro.

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