Ventos de mudança

Os recentes actos eleitorais na França e na Grécia mostram que ventos de mudança sopram na Europa. Apesar de a eleição de Hollande provavelmente se não traduzir numa inversão significativa das políticas europeias, é um dado adquirido que a sua vitória reflecte um genuíno desejo de mudança por parte da população francesa.

Na Grécia, o cenário é de uma outra natureza: ao pesado castigo que caiu sobre os partidos do austeritarismo , corresponde um reforço das forças políticas de esquerda que se opõem ao programa da troika. O Partido da Nova Democracia tenta formar um governo que será, de todas as formas, débil. Juntamente com o PASOK, o seu habitual parceiro no roubo austeritário, somam-se 32% dos votos e, mesmo com a trapaça legislativa grega que outorga ao partido mais votado 50 deputados extra, estes partidos não lograram obter uma maioria absoluta.

A esquerda saiu reforçada, especialmente o Syriza, partido que defende um governo anti-troika e a suspensão do pagamento da dívida, além do KKE (comunista), que defende a ruptura com o Euro e a UE, e do DIMAR (“esquerda democrática”). Todos juntos, estes partidos receberam 31% dos votos, o que lhes não permite formar uma maioria governamental, algo que, de resto, o KKE já havia recusado, assumindo uma posição que, na minha opinião, peca por algum sectarismo e ultra-esquerdismo.

Seja como for, estes resultados reflectem um avanço na consciência dos trabalhadores e um avanço da sua própria luta contra o saque de quem têm sido alvos. Independentemente da composição  do governo que os conservadores pretendem formar, será um executivo debilitado, havendo melhores condições para aumentar progressivamente a resistência, até que, eventualmente, se reúnam as condições para passar à ofensiva sobre a Europa do Capital.

Até lá, o diálogo à esquerda seria benéfico para a luta dos trabalhadores, arredando-se divergências menos imediatas, em função de um programa unitário que rompa com o memorando, com os ditames da ditadura do Euro e que ponha a economia ao serviço do povo, com um plano de revogação das privatizações e a nacionalização dos sectores centrais da economia. Seria um óptimo (e certeiro) primeiro passo.

Edit: Enquanto redigia estas linhas, a Nova Democracia sacudiu a responsabilidade de formação de um governo. A batata quente passou, portanto, para o Syriza.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s