Europa dos Cidadãos Unidos

Antes de mais, gostaria de vos dizer que o meu interregno neste blog terminou e estou de volta à carga.

Queria escrever um artigo pesaroso e explicar o porquê desta crise e deste suicídio estar a acontecer pela terceira vez em menos de 100 anos, mas para isso há melhores analistas e escritores do que eu. Quero expor apenas o que me vai no pensamento ao ler as últimas notícias sobre o que acontece na Grécia.

Sou uma europeísta convicta e quando dou por mim a concordar com eurocépticos sobre a pertinência da existência da União Europeia é porque algo está muito errado.

Contudo, caros amigos, creio que este é o caminho a percorrer porque a velha União está podre e não merece viver. Desde há décadas que tem vindo a divorciar-se dos cidadãos europeus para fortalecer a aliança com o Capital. Uma organização que prefere alimentar banqueiros a alimentar os povos só pode ter um destino: desmembramento. E não culpemos a Merkel ou o Sarkozy apenas. É certo que ambos têm estado encarregues nos últimos anos, mas este é apenas o culminar de um processo que deveria ter sido fácil de prever. Há toda uma elite política europeia cheia de culpas no cartório que escolhou este caminho, o do neoliberalismo, sem pensar em mais nada, sem considerar alternativas, sem ouvir os seus cidadãos.

Está então na altura de nós, cidadãos europeus, tomarmos os destinos deste continente nas nossas mãos e termos a ousadia de construir um projecto para nós onde possamos participar, propôr, debater e ter como principal propósito a melhoria das condições de vida de cada cidadão. Os gregos, e em certa medida os outros povos do Sul, já começaram a sua luta, esperemos que o restantes se juntem o que inclui alemães, holandeses, franceses… todas as nacionalidades.

Como já disse o Tiago, o que está em causa é a luta de classes e não a luta de nacionalidades que não passa da velha máxima “dividir para reinar”. Já caímos nessa farsa na década de 30. É necessário não cansar de repetir que não é o nacionalismo, a xenofobia que levam a algum lado. O que nos conduz a um caminho melhor são as manifestações, greves e ocupações por toda a Europa. São essas as alianças a ser construídas para que se inicie um novo projecto. Portanto, cada um de nós terá de ser activo, questionar e discutir o que quer para a Europa, as novas redes sociais são uma ferramenta importante para criar pontes com outros cidadãos, tomar pulso das realidades e não acreditar em tudo o que a comunicação social nos transmite.

Uma primeira fase passará por fazer cair todos os governos que compactuam com esta forma de “resolução” da crise. Numa segunda fase garantir-se-á que não se pagaram dívidas odiosas o que passa necessariamente por uma auditoria pública às dívidas contraídas. Desde já podemos incluir os juros devidos ao BCE e ao FMI. Qualquer partido/movimento que não inclua este ponto no seu programa, não deve merecer o nosso voto/participaçao. Daqui para a frente poderemos então discutir o nosso projecto europeu.

Eu já tenho um nome para propôr: Europa dos Cidadãos Unidos.

 

 

2 thoughts on “Europa dos Cidadãos Unidos

  1. Pá, tens razão. Fiquei a pensar no mesmo. Originalmente pensei em “povos” mas também julguei que isso fosse excluir imigrantes. O melhor mesmo talvez seja “proletários”… seja como for, o intuito é lançar o debate.

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