Eleições presidenciais finlandesas: resultados 1ª volta

Os prognósticos aventados no post anterior acabaram por se confirmar: Sauli Niinistö lidera confortavelmente a corrida presidencial, com uma percentagem de 37% dos votantes. Terá, no entanto, de disputar a 2ª volta com Pekka Haavisto, o candidato verde, que obteve 18, 8% dos votos. Por momentos, tudo indicava que seria o candidato centrista, Paavo Väyrynen (17, 5%), a disputar a 2ª volta, mas o jogo acabou por virar a favor de Haavisto. Depois temos Soini, com 9,4%, Lipponen, com 6,7%, Arhinmäki, com 5, 5 %, Biaudet, com 2, 7% e Essayah, com 2, 5%.

Da minha parte, mantendo as ressalvas levantadas no post anterior, tendo a manifestar o meu apoio a Haavisto na 2ª volta, posto que Niinistö representa o mesmo neoliberalismo que tem afundado o continente europeu. Seja como for, algumas breves reflexões têm de ser feitas, face a estes resultados: primeiro, a derrota da esquerda, não obstante o invulgar resultado do candidato da Aliança Verde. Durante anos, o jogo do poder teve como protagonistas a Coligação Nacional e o Partido Social Democrata. Aliás, desde 1982 que a presidência finlandesa é ocupada por sociais-democratas. Nestas eleições, o candidato social-democrata, Paavo Lipponen, teve de se contentar com uns meros 6, 7%, enquanto o candidato da Aliança de Esquerda obteve 5, 5%. Portanto, sem contar com Haavisto, a esquerda foi claramente relegada para a “segunda divisão”, beneficiando a direita de uma posição hegemónica, não somente devido à votação de Niinistö, mas também à de Väyrynen e à do carismático líder da extrema-direita, Timo Soini.

Estes resultados mostram, de determinado modo, a falência da esquerda reformista, que governou a Finlândia durante as últimas décadas. Não contando com os votos do candidato do Partido do Centro, em quem a pequena-burguesia camponesa vota tradicional e quase religiosamente, houve uma grande fatia dos votos das camadas mais baixas da sociedade, como os operários industriais e outros sectores da classe trabalhadora, anteriormente suporte do Partido Social Democrata, que se deslocou para a abstenção (28, 3%), ou para outros partidos. Uma das formações partidárias que claramente beneficiou da quebra de confiança no Partido Social Democrata foi o dos Verdadeiros Finlandeses, que acolhe no seu seio tendências da extrema-direita neo-fascista. Tal como em Portugal, a liberalização da social-democracia e a consequente quebra de confiança do seu eleitorado, bem como a falta de uma alternativa socialista e popular, faz com que os trabalhadores se abstenham ou girem à direita, muitas vezes, até à extrema-direita. Não é à toa que os Verdadeiros Finlandeses incorporam no seu programa um agravamento fiscal para as grandes empresas e a manutenção do Estado Social para todos os finlandeses. Soini e companhia são os principais beneficiadores de grande parte dos votos dos trabalhadores que costumavam votar nos partidos de esquerda.

Em tempos de crise, não são os cravos da Revolução os únicos a brotar do solo. Muitas vezes, a flora triunfante no jardim da crise são as ervas daninhas da Reacção.

P.S: Confirmar os resultados aqui.

One thought on “Eleições presidenciais finlandesas: resultados 1ª volta

  1. Pingback: O novo presidente da Finlândia | Sentidos Distintos

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