Solidariedade com os moradores do bairro do Aleixo

Depois de anos de abandono e subsequente degradação já há espaço de manobra para as elites ocuparem a encosta do Aleixo. Um espectáculo deprimente, com direito a audiência a partir de Gaia. Só faltavam o fogo de artifício e a música clássica.

Entretanto, este triste enclave cuja intervenção do Estado se resumiu à invasão armada das brigadas anti-droga vê centenas dos seus moradores desalojados. A promessa de habitação cai em saco roto pois o próprio empreiteiro está sob escrutínio jurídico – e nem a mais limpa e legal remodelação paga as altas rendas, os impostos e (quiçá) taxas de condomínio numa zona residencial avaliada na ordem dos largos milhões de euros.

O Aleixo, nome que inspirava receio na conversa informal portuense, vê assim o seu elogio fúnebre nas mãos da investida burguesa, que agora poderá assistir aos concertos do Rui Veloso confortavelmente sentados na varanda do seu colonato urbano. Quanto às pessoas, bem-ajam. Umas para Gaia, outras para Matosinhos, engordar as periferias cuja degradação continuará até que de novo se torne rentável, e o ciclo se repita.

http://www.tvi24.iol.pt/aa—videos—sociedade/aleixo-gas-pimenta-manifestacao-tvi24-porto/1309170-5795.html

4 thoughts on “Solidariedade com os moradores do bairro do Aleixo

  1. O realojamento está em curso já há algum tempo e é garantido em parte pela Câmara e pelos investidores. Teoricamente, os moradores terão direito a ficar no bairro (nas novas construções, logo que terminado o projecto) só que, como não será difícil calcular, o custo de vida dessa zona tornar-se-á insuportável, entre IMI, rendas, condomínios etc

    Não no início, calculo, para dar aquela aparência que o sistema funciona. Eventualmente levam com uma actualizaçãozinha da renda à lá PSD (“mas alguém aceita que pessoas paguem rendas baixas em zonas de luxo?”). A paciência burguesa é felina.

      • Como disse, o realojamento já começou pelo que têm sítio para ficar (estes pormenores também não sei, mas não há ninguém sem casa, provavelmente estão em habitações temporárias). São civilizados demais para mandar as pessoas directamente para a rua, isto (ainda) não é o séc. XVIII

        Mas a situação é o que se espera. Houve um contrato por parte da câmara (da alçada do Rui Rio) que afigura mais de 30M€, se não me engano. Como será de esperar, a câmara trata dos aspectos mais chatos (realojar o pessoal) e o negócio foi concedido com a certeza de que as pessoas não seriam obrigadas a sair do Aleixo, apenas que seriam mudadas para habitações melhores. Assim, a coisa vai por dois campos: modernizar as habitações e criar na beira-rio um espaço rentável para ligar com a ribeira do Porto.

        O resto, é o que se vê.

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