A fachada democrática não esconde a ossatura genocida

Eu aplaudo a decisão do Queer Lisboa de prescindir do apoio israelita para o 15º Festival de Cinema Gay e Lésbico. Gostemos ou não, o apoio da embaixada de Israel não possui uma carga “neutra”, como possuiria caso fosse a embaixada francesa ou italiana a apoiar o certame. Da mesma forma que um hipotético apoio da África do Sul do apartheid não seria equivalente a um eventual patrocínio da Grã-Bretanha ou da Alemanha. Afirmar o contrário é escamotear mais de 60 anos de crimes, ocupação e genocídio, por detrás do ténue véu da democracia, brandindo os habituais fantasmas do “anti-semitismo” e do “anti-sionismo”. Aliás, relativamente a este último conceito, nada a opor, porque, a meu ver, defender a democracia e os direitos humanos no Médio Oriente obriga, forçosamente, a uma reflexão profunda e crítica sobre a legitimidade histórica do estado de Israel, desde o seu nascimento, bem como dos mitos nos quais o devastador programa político sionista se baseou.

Não confundamos alhos com bugalhos, nem escamoteemos um processo histórico lastimável debaixo de uma maquilhagem humanista. Não deixemos a fachada democrática cobrir a ossatura genocida.

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