Se o interesse dos trabalhadores é grupal, de classe, o dos banqueiros é …….. nacional?

Fez-me muita confusão ouvir as declarações de Sua Beatitude, o Excelentíssimo e Reverendíssimo Cardeal-Patriarca D. José Policarpo. Primeiro, faz-me confusão ver uma pessoa esclarecida achar que o empréstimo que nos foi concedido é uma ajuda e não um nó de forca. Segundo, acho de mau gosto que se persista nessa falácia de que os interesses dos banqueiros e patrões incorporam um carácter “nacional”, enquanto os dos trabalhadores são “sectários”. Então, vejamos, reduz-se as contribuições dos patrões para a segurança social, isenta-se a banca e a bolsa de valores das responsabilidades advindas das medidas de austeridade, ao passo que se sufoca os trabalhadores, os jovens e os desempregados. Então, digo eu, se isto não não são medidas de carácter “grupal, de classe”, o que será?

Enfim,  de facto, com esta posição a Igreja deixa cair o véu que cobria a sua hipocrisia e volta a alinhar com os seus tradicionais aliados: os exploradores e as elites dominantes. Com o decorrer dos séculos, a Igreja via na pobreza uma mais-valia, uma forma de justificar a sua existência, que assim não se via reduzida à promoção de guerras e concomitante sucção de ouro dos cofres das monarquias cristãs.

Na verdade, o Senhor Cardeal até se mostrou em consonância com o programa do governo no campo da assistência social, ao afirmar  que “a caridade é o grande desafio”. Caridade, claro, não uma economia e um estado socializado, que isso é coisa de comunas. O PES tem aqui um aliado. Afinal, a inexistência de estruturas sociais laicas apenas reforça a preeminência da Igreja numa sociedade que eles desejam subjugada ao direito canónico.

2 thoughts on “Se o interesse dos trabalhadores é grupal, de classe, o dos banqueiros é …….. nacional?

  1. Pois desde que a Religião biblico-judaico-cristã se tornou a Religião oficial do Império romano no tempo de Constantino,ela passou a ser imperial e como tal com as regalias próprias dos Reis, Imperadores e Czares disputando da riqueza,do luxo,da pompa,mandando construir monumentais Catedrais onde exibe os seus Ritos teatrais para impressionar o Povo crente que constitui o rebanho do Senhor que segue o Pastor ou seja o Vigário de Cristo que com sua Vigarice traz o Povo ajoelhado e submisso com Fé no Deus que o Homem inventou à sua imagem e semelhança,
    esperando dêle a recompensa no Céu após ter sofrido uma vida de opressão,dado que só com sacrifício e sofrimento é que se ganha o Céu,pois Cristo também sofreu por nós pecadores como diz o senhor Abade Prior.

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