Nodding out

A resposta do mui austero Davide Camarão é mais repressão e mais austeridade. Não há nada como um motim para trazer ao de cima o macho que há em cada um de nós.

Cameron has a message to the rioters: “You will feel the full force of the law. If you are old enough to commit these crimes, you are old enough to face the punishment.”

Cá se fazem, cá se pagam. Entretanto, as razões que levaram ao motim são completamente ignoradas e a população mantém-se blissfully ignorant até ao próximo. Entretanto, a vigilância policial mais que duplicou (de 6000 a 16000 polícias em Londres) e 450 pessoas foram presas. Entretanto, o ambiente irrespirável do surveillance state torna-se venenoso; as prisões (já em si entupidas) refrescam com algumas centenas de indivíduos que acabaram de provar o seu activismo e, cá fora, a capital europeia da xenofobia enraivece contra alvos imaginários.

Isto, portanto, para complementar aquilo que já disse o Tiago.  Seja como for, há que acrescentar um ponto: tenho observado a reacção de militantes de “esquerda” que condenam os ataques a torto e a direito. O argumento é constante – “são todos uns vândalos! isto não é forma de protestar!” – pois eu a isso tenho a dizer: qual é então, ó esquerdistas geniais? Pactos? Procissões pela avenida abaixo? Compromissos?

Quando o caminho a seguir não é claro e contundente o povo pega a injustiça pelos cornos. E aí, vai por onde der. Ninguém gosta de motins, é certo, nem é correcto clamar sangue atrás do meu computador. Assim como não é correcto ficar aqui, na paz pasmacenta deste país, a atacar uma revolta para dar ares de gente civilizada.

3 thoughts on “Nodding out

  1. Uma só nota, Daniel: eu também condeno esta forma de protesto. Muito dificilmente conseguiria conceber como um acto reivindicativo a pilhagem e incineração da loja do meu vizinho, que, muito provavelmente, é tão vítima da austeridade como eu. O que eu queria dizer com o meu post é que, em vez de clamarmos por vingança e condenarmos os habitantes dos subúrbios londrinos (ou seja, uma reacção à Cameron), devemos procurar as raízes profundas deste tipo de actos.
    Depois, o outro problema é a notória falta de organização política que canalize a agressividade para onde ela deve ser dirigida. Sim, porque eu também não sou abstractamente pacifista. É líquido que, muitas vezes, o poder necessita de umas pauladas valentes para encarreirar.

  2. Pingback: Ver para além do brilho do fogo II | Sentidos Distintos

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