Novos desenvolvimentos: os culpados dos mortos de Oslo são os imigrantes e o multiculturalismo

Pelo menos, é o que afirma o Jerusalem Post.

De facto, Israel é daqueles “países” cuja imprensa nunca nos deixa de surpreender. O mesmo se aplica aos recentes acontecimentos de Oslo, os quais têm merecido uma atenção significativa tanto por parte da imprensa tradicional, como da blogosfera.

Vejamos esta análise dos atentados de Oslo.

Leram? É absolutamente delicioso, não é?

Frustrado com o facto de não poder acusar uma qualquer organização jihadista pelos sucessos de Oslo, o autor desta rábula maravilhosa encontrou um rápido subterfúgio para as suas concepções xenófobas: segundo ele, a culpa da existência dos Breiviks deste mundo é a imigração e o multiculturalismo. Segundo este autor, as “culturas” são entidades estáticas, firmes dentro de fronteiras muito delimitadas, que nunca se podem tocar, caso contrário resultam na criação de bombas relógios, como a acção violenta dos Breiviks que por aí grassam.

Colidirá esta concepção com a evidência histórica que as “culturas” são construções histórico-identitárias fluídas, dinâmicas, dialécticas, se quisermos, que sofrem a influência de inúmeras condicionantes, sejam elas económicas, políticas ou sociais?

Entrará em conflito com a concepção de que uma integração cultural equilibrada depende, além das condicionantes supra referidas, da acção dos seus próprios intervenientes, i.e, governos e as próprias comunidades de imigrantes?

Entrará em conflito com o facto, observável por qualquer pessoa que tenha vivido na Escandinávia, como eu tive a oportunidade de viver, de que as comunidades imigrantes muçulmanas repudiam este tipo de actos, tanto como os luteranos, os ortodoxos ou os católicos?

Não, diz o nosso douto correspondente do Jerusalem Post. Tudo isso são questões despiciendas para a concretização do móbil que preside à redacção do seu libelo: arranjar maneira, através de uma ginástica argumentativa extraordinária, de culpabilizar os imigrantes, concretamente, os muçulmanos, relativamente aos atentados perpetrados pela extrema-direita. O que resulta, quer ele goste ou não, numa desculpabilização de Breivik e dos seus camaradas ideológicos pelo massacre na Noruega.

Olvidará, porventura, o autor do editorial em causa, que ele é também um imigrante. Aliás, ele pertence à única classe de imigrantes profundamente reaccionária, bem visto o âmago da questão: a imigração colonizadora, armada até aos dentes e responsável por mil vezes mais casualidades do que as verificadas no atentado de Breivik. A colonização israelita.

2 thoughts on “Novos desenvolvimentos: os culpados dos mortos de Oslo são os imigrantes e o multiculturalismo

  1. Eu acho piada a quem dita o “falhanço do multiculturalismo”, como alarvava um ministro britânico (?) há uns tempos atrás. Eu, francamente, nunca vi esse multiculturalismo de que tanto se fala…

  2. O facto de ser um editorial ainda mais repugnância causa. Demonstra a posição política de todo o jornal e não apenas a de um jornalista isolado.

    Esta opinião faz lembrar um pouco aqueles acórdãos que de vez em quando surgem para aí sobre casos de violação ou violência doméstica: no fundo, no fundo, o agressor não tem culpa, são elas que provocam. O multiculturalismo é a causa que provocou o ataque. De facto, se mandarmos toda a gente que seja diferente para o campo de concentração não haverá mais problemas. Grandes males, soluções finais.
    Como é que um jornal israelita não é capaz de ver isto? Ultrapassa-me.

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