Fez-se luz!

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpa por uma ausência mais longa do que habitual, mas aqui estou para retomar as postas semanais sobre o que se vai passando neste mundo.

FEZ-SE LUZ! na cabeça do establishment português: as agendas de rating não valem um tostão furado!

Isso até daria para rir se o caso não fosse tão sério.

Foi preciso chegar a três PECs e a um governo e programa ultraliberais para que a elite política e económica deste país percebesse como este capitalismo financeira funciona. Agora é tão fácil dizer já chega e não vamos renovar contratos com esta gente que são um bando de irracionais e não sabem o que fazem. É uma estratégia do dólar para dar cabo do euro. É um autêntico “murro no estômago.”

Se a nossa gente, tanto nacional como europeia, não estivessem tão corrompida (e quero dizer não apenas a perpetuação da elite através de partidos maioritários, mas ainda a podridão intelectual em que vivem e que os incapacita de ver outras alternativas e pensar nos cidadãos), há muito que isto teria sido evitado. Agora multiplicam-se as opiniões contrárias, os gritos de indignação e está tudo do lado do povo. Os debates televisivos denunciam, explicam como é que isto acontece. Tudo num alvoroço contra as agências de rating esse arqui-inimigo.

Palhaçada é o que isto é! Uma hipocrisia pegada pois esta gente sabem muito bem como é que isto funciona e sabe bem para quem trabalham as agências e qual o seu propósito, especialmente nesta altura. As perdas dos bancos continuam a ser a prioridade desde 2008, depois de inúmeros bail outs e outras ajudas. E como as agências pertencem a grupos financeiros que operam globalmente e que sofreram perdas que ainda ninguém avaliou realmente e com seriedade, actuam de forma a cobri-las o mais rapidamente possível forçando os Estados a entregarem tudo o que houver, incluindo empresas, serviços públicos e monopólios naturais. A economia real não pega, não arranca e, portanto, não há outra maneira de reaver perdas. É isto e mas nada.

Segue-se então para a receita: pressão sobre as dívidas soberanas, misturada com uma Europa estúpida e vendida ao neoliberalismo, incapaz de actuar com propósitos políticos de defesa dos cidadãos, encarrega-se os respectivos governos nacionais de matar a democracia através da rasia da economia (na minha ideia de democracia votar não é o único que a constitui, a vida digna através do acesso a cuidados básicos, assim como direito ao trabalho com condições são indispensáveis a uma democracia real) suspendendo direitos e liberdades e lançando gás lacrimógenio sobre os que ousam contrariar o seu programa.

Convém sublinhar mais uma vez o papel do Banco Central Europeu o mesmo banco que baseia as suas previsões e estudos nas informações das agências. Bastava que não fizesse e estas valeriam um tostão furado. Contudo, parece que a Fitch é francesa. E o próximo presidente do BCE, o Mario Draghi, até já esteve na Goldman Sachs que andava feita com a Moody’s durante a crise de 2008… Enfim!

Espero sinceramente que o povo português perceba de uma vez por todas o que está em causa e volte a sair para a rua, não vai haver outra maneira de nos salvarmos e de salvar os nossos companheiros europeus de classe que sofrem os mesmos problemas.

 

P.S.: Acabou de dar o Expresso da Meia-Noite na Sic Notícias. Sou só eu ou o Ricardo Costa é o jornalista mais sobrevalorizado de sempre. Nunca ouvi nada de novo da boca dele, apenas uma repetição dos seus próprios limites: não há alternativas a este sistema.

 

One thought on “Fez-se luz!

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