Feminismo

‹‹A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta congratula-se com a eleição da jurista Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República.
Este acontecimento tem um particular significado político histórico, não só porque se trata da segunda figura do Estado, como também pelo facto de Assunção Esteves ter sido eleita, no ano do centenário do voto pioneiro de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal e na Europa, com excepção dos países nórdicos.
(…)”

Parabéns UMAR! Mais uma vez a palavra Feminismo foi usada de forma leviana. Mais uma vez, quando alguém se apresentar como feminista, o ridículo impera.

Nunca tive resistência nenhuma em me apresentar como feminista, tive sempre foi problemas com duas realidades que, a meu ver, resultam de grande grau de ignorância:

a) Pessoas que não se identificam com a palavra/conceito, na medida em que acham que as mulheres já conquistaram direitos “suficientes”;

b) A existência de inúmeras correntes “feministas” que defendem ideias que só resultariam em completo retrocesso de direitos sociais: neste contexto, e a título de exemplo, ouvi auto-apelidadas “intelectuais feministas” a defender coisas como a criminalização da prostituição, porque “elas não sabem o que fazem e têm que ser protegidas por nós”*.

Neste último problema, entram as chamadas feministas que gritam até à histeria, género feminino acima de tudo.

Não é de agora, aquando das eleições presidenciais nos EUA, por exemplo, havia quem defendesse a vitória de Hillary Clinton porque era mulher. Ora, tal não me poderia parecer mais descabido. Não sou machista ou racista por não defender a vitória de nenhum dos candidatos, nem prejudico a causa. Pelo contrário, é importante na medida em que não alimentamos falsas construções ideológicas.

O que ganha o feminismo com personagens como a Hillary Clinton? O que ganha o feminismo com personagens como a Assunção Esteves?

NADA.

O que ganha o feminismo com declarações como a que a UMAR fez em relação à Assunção Esteves?

DESCRÉDITO.

A título pessoal e enquanto feminista convicta, lamento profundamente esta postura e revelo que é ofensivo o teor da declaração em causa.

Aqui, a UMAR se não declarasse nada só revelaria que o silêncio, algumas vezes, é mesmo algo precioso.

* Para além de revelar um “maternalismo” abjecto, é algo que me arrepiou profundamente enquanto jurista.

P.S. Mais tarde, quando a fúria estiver mais apaziguada, desenvolverei o que concebo como Feminismo.

 

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