“O Regresso Da Lebre”

“Ele não é um coelho, é uma lebre!”

Já os Diabo na Cruz avisavam:

Era sua a arma de três canos
E a torneira da foz do Minho
Fora vista em fuga à 11 anos
Junto à cova do monte esquivo

”Venham ver”, diz o Galo
“Ai, que medo!” grita a Flor
Tem os corninhos do Diabo
E os dedinhos do Senhor

Voltou, voltou, a lebre voltou
Voltou, voltou, a lebre voltou
Voltou, voltou, a lebre voltou
Voltou, voltou, voltou…”

Neste último Domingo, todos perdemos uma batalha.

Há que considerar a importância da batalha. Antes das eleições, falou-se muito no “leva a luta até ao voto”. Este discurso não podia estar mais ao lado do fundamental. A luta não se faz através do voto. Este numa luta contra todo um sistema que nos ata, não tem assim tanto peso. É um pormenor, é um parafuso, mas que apesar da sua menor importância, é preciso apertar, é preciso lá estar. Não se luta com a ausência.

E o que é mais difícil de fazer, num momento em que a esquerda levou um baile nas legislativas, é ficar sereno.

As reacções “abutrícias” já surgiram com toda a sua força. Só que há aqui um engano forte. A esquerda não está cadáver, a esquerda não morreu, nem pretende morrer.

Esta mensagem aplica-se aos próprios auto-apelidados “paladinos de esquerda”. Sim ao discurso de autocrítica, sempre necessário. Não ao ataque de ego para ego. A esquerda não se constrói numa luta de egos.

É sempre altura de aprender e de nos tornarmos mais fortes. Verificarmos que a luta não é feita para as eleições. A luta é feita todos os dias: em casa, no trabalho, nas férias… A luta é sempre. Não se trata aqui de sermos uma imitação de quem quer que seja, mas reconhecermos a melhor forma de passarmos com lealdade a nossa mensagem.

Enquanto militante de esquerda não partidarizada, não sinto derrota. Sinto que tenho de continuar a lutar e a aprender.

P.S. Votei pela 2.ª vez na minha vida, na CDU. Não porque a reconheça como força partidária ideal (senão estaria filiada na mesma) mas mesmo por falta de uma verdadeira alternativa. O BE, no qual militei até meados do ano passado, poderia tê-la sido, decidiu-se por caminhos diferentes que todos já conhecemos. Aguardo as “reflexões” que se farão nos próximos tempos em termos do caminho a definir para o BE e eventuais forças partidárias de esquerda que surjam. Abriu mesmo a caça ao coelho/lebre! Cacemos!

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