Declaração da intenção de voto

Em tempos de crise, o fundamental é garantir a manutenção e proliferação das estruturas de base social e económica. A esquerda é o único campo, parece-me, onde essa intenção é verdadeira.

Eu não sei qual será a solução, a curto prazo, para a tirania da dívida externa. Parece-me, no entanto, que a longo prazo exige-se que a soberania das populações seja cumprida perante as chantagens do mercado. Eu não penso muito em ideais, nunca fui partidarizado nem me sinto à vontade para defender um comunismo ou socialismo ou o que for, assumindo assim uma atitude que, por um lado, é prática e, por outro, é sonhadora.

Penso prático na estruturação dos recursos. Parece-me evidente que a distribuição dos bens e serviços essenciais deve ser total e igualitária. Não me parece correcto estratificar acessos a educação, saúde, habitação, defesa legal, água, comida, electricidade. Nem me parece que seja correcto usar restrições a estas dimensões, que, para mim, são fundamentais à sociedade, como forma de punição.

Afasto-me assim da direita. O CDS avança com propostas de reestruturação da segurança social por lógicas de mérito e isso, a mim, soa-me aberrante. Assim como a ideia paternalista de Estado que apresenta, em relação à qual já escrevi aqui várias vezes e sou manifestamente contra.

Penso sonhador nas vontades de agir perante os problemas da sociedade. Aqui, os partidos do centro assumem um papel preponderante. Discordo absolutamente da agenda privatizante do PSD, pois acho que serviços públicos devem existir afastados da lógica da competição empresarial. Aquilo que é para todos deve ser gerido por todos. Discordo também absolutamente da deriva meritocrática do PS de Sócrates, que investiu na perseguição à função pública (e, nomeadamente, aos professores) criando lógicas de competição interna que são aberrantes. De resto, já escrevi sobre isso aqui também.

Viro-me como sempre me virei, então, para a esquerda. Não me faz sentido, nestas eleições que julgo serem mais importantes do que o habitual, votar em partidos pequenos, embora compreenda e apoie quem o faça. Sobra-me, portanto, o BE e a CDU.

Quando à CDU, devo dizer que nunca me achei grande comunista e que sempre julguei a CDU por ter um diálogo muito preso e desactualizado. Parece-me que tem havido grandes transformações recentemente para uma CDU mais ampla e flexível mas mantenho as minhas reservas.

O BE, por sua vez, peca de um mal que neste momento é mais grave, a meu ver, do que o da CDU. É um partido demasiado indefinido. Não me refiro aos conflitos internos, que julgo serem salutares, mas à forma como nos últimos tempos tem saltitado de um sítio para outro, num vai-e-vem desprovido de coerência. É, também, um partido que julgo estar mais à mercê de cair no paleio do compromisso, do qual já falei aqui antes.

Planeio, neste sentido, votar na CDU. É o partido que se tem mostrado mais consistente e seguro na luta pelos aspectos práticos e sonhadores de que falei. Que defende, por um lado, uma redistribuição inteligente dos recursos e implementação/manutenção da muito necessária infra-estrutura que sustenta um país; por outro, mantém teimosamente a luta pelas pessoas, pela sua liberdade e bem-estar.

Parece-me uma boa escolha.

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