Vandalismo nas Escadas Monumentais

http://www.jn.pt/CidadaoReporter/Interior.aspx?content_id=1860048

Eu estudei durante cinco anos em Coimbra, vivi seis. Nesse período, assisti à mais decadente destruição de todo o ‘património’ coimbrão por parte da estudantada acéfala.

Eu, que caminhei em escadas Monumentais pegajosas de cerveja, grego e mijo; que me desviei tantas vezes dos caminhos de placards e faixas que as listas da JS e JSD usavam nestas escadas; que observei, impávido, enquanto ocupavam não só as escadas, como departamentos (lembro-me de uma lista A, da JS, usurpar os suportes do Museu do antigo Departamento de Antropologia para pendurar cartazes); que caminhei tantas vezes pelos corredores da AAC pejados de bêbados e barulho, a alombar com material e a ser zombado por isso…

Onde estavam nessa altura estes portentosos agentes da moral cívica? Porque não se ‘indignaram’ estes indivíduos nessa altura? Porque é que não acusam a Queima das Fitas de vandalismo? Porque é que não incitam à ‘limpeza’, como lhe chamam (com uma evidente e perigosa conotação), depois do cortejo da Latada? Ou porque é que não foram acarretar com os blocos de cimento que a DG-AAC usou para sustentar cartazes alusivos a um Maio de 69 cujos ideais já há muito foram esquecidos (e que eu argumentaria serem contrários a essa Direcção), blocos esses que inclusivamente partiram degraus das escadas Monumentais que tão zelosamente defendem agora?

A mim não me enganam. Independentemente de eu concordar, ou deixar de concordar, com esta forma de publicitação, acho muito mais grave esta hipocrisia de fascistas (literalmente, já que alguns PNRs já se identificaram pelo facebook) e neo-liberais que não suportam a CDU se mascararem de consciência ‘cívica’. Olhem-se ao espelho antes de fazerem acusações.

É deprimente que uma indignação ridícula como esta mereça tempo de antena nos jornais nacionais. Demonstra brutalmente o estado de sítio mediático em que nos encontramos.

Edit: Vídeo.

18 thoughts on “Vandalismo nas Escadas Monumentais

  1. Li, gostei e partilhei.
    “O que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas.” (Agostinho da Silva)

    • isto não é arte ou grafitti! é propaganda!só falta vender cada vão a um partido…vandalismo é pouco. Independentemente da escolha partidária, isto é de uma extrema falta de respeito para com o património!

      • Não vou estar a chover no molhado, o Daniel já disse tudo. O património é vilipendiado todos os dias pela estudantada daquela cidade, ainda mais agora, que parece haver uma onda de vandalismo, não neste sentido ideologicamente conotado, mas o bruto, de partir coisas apenas porque sim. Vá ao museu Machado de Castro, por exemplo.

        O conceito de património está em permanente construção. A verdadeira destruição de património começou com a demolição da alta de Coimbra pelo governo salazarista para construir os edificios da UC. Depois disso, todos os grafittis e murais, feitos por todas as organizações políticas, desde o PCP(R) até aos SUV, durante dezenas anos de movimento estudantil, tudo isso é “património”, na medida em que representa mais a história da academia que os tomates do D. Dinis, ao cimo das escadas.

        Óbvio que há limitações. Logicamente, nunca defenderia uma pintada de um mural de um partido no castelo de Almourol, não porque siga um princípio de não utilizar espaços públicos para mensagens políticas, mas porque a esta não reflectiria absolutamente nenhum contexto histórico relativo ao edifício em questão.

        Por último, deixa-me que lhe diga que as publicidades (e a presença física) do Santander Totta no campus, assim como a toneladas de lixo resultante dos materiais de propaganda das listas para a DG, apoiadas pela JS e JSD, são muito mais prejudiciais não só para o património físico, mas para a vida quotidiana dos estudantes, no caso da ingerência da banca na gestão da UC.

        Essas pessoas que estavam a apupar o comício da CDU algum dia foram a uma manif contra a expulsão dos seus colegas do ensino superior, por não terem bolsas? Algum dia se manifestaram contra o RJIES que os retira dos orgãos de decisão da UC? Pois, suponho que mandar os comunas à merda é mais fácil…

      • Amigo: estás enganado. O património que aquelas escadas simbolizam é o da barbárie da destruição da Velha Alta por ordem de Salazar. Aquelas escadas não são nem antigas, nem velhas, nem valiosas. São, apenas, muitas escadas. Contudo, o que se fez foi, tão-só, pintar as escadas com protestos que deviam mobilizar os estudantes: propinas, Bolonha, bolsas. Mas não – de repente, meia dúzia de nervosinhos decidiram amar Coimbra e aquelas escadas. Precisam de causas? Procurem-nas! Mas não desçam demasiado na escadaria da vossa exigência.

    • Concordo com a tua afirmação… já para não falar que a tradição começa a ficar em decadência…basta ver estudantes com traje e sapatinhas em vez de sapatos…è vergonhoso que os “doutores”, ou seja os mais velhos que sabem desencaminhar os mais novos para os bares e café e jantares de grupo, não lhes tenham ensinado a honrar a vestimenta que representa a universidade onde estudam e passam uma fase importante da vida deles…

  2. Reitero que a minha questão fundamental não é a de ser um acto correcto ou incorrecto. Digo que, pessoalmente, nunca me interessei muito pelo assunto mas considero que o espaço público deve ser utilizado e que essa utilização provoca mudança e mudança é bom.

    Mas a questão não é essa. A questão é que estas escadas sempre foram usadas – para tudo! Campanhas políticas, protestos, praxe (aquela de contar as escadas até lá em cima, todos bêbados, sabeis?), eleições da AAC. Aliás, é um espaço predilecto para a AAC. Por mim, usem e abusem, já disse. Aceito, por outro lado, a preocupação de quem gosta desse marco e o quer manter. Respeito, mesmo, e respeitaria se pertencesse à organização de algo.

    Agora o que se passa aqui é que esta “revolta” não foi organizada por um colectivo de estudantes preocupados e civicamente activos. Foi organizada, pura e exclusivamente, contra a CDU. Contou, inclusivamente, com representação da DG no boicote ao comício, coisa que vai contra os estatutos da AAC. É um acto deliberado de ataque político.

    Finalmente, devo dizer que, se houvesse verdadeiramente essa preocupação, esses estudantes que se dirigissem a quem é dessa competência. Refiro-me à Câmara Municipal de Coimbra e ao Ministério da Cultura. Que exigissem perante os organismos responsáveis, e não perante uma organização que protagoniza algo que tem direito e liberdade de fazer. A invasão ao comício da CDU desmascarou completamente a intenção desta gente.

    • Exmo Daniel Maciel,

      não consegui ficar indiferente á quantidade de absurdos que teimas em dizer aqui. Primeiro informa-te melhor sobre as datas de crise académica. Quanto á sujidade da cidade de Coimbra que eu própria reivindico aceito a critica, mas nao compares um acto premeditado a um reflexo do organismo como o vomito. Fica INDIGNO um estudante de Coimbra, ex-colega, não perceber o valor das escadas monumentais para qualquer aluno de Coimbra, se não o entendes permite-me que te diga que nunca sentis-te realmente Coimbra.
      Lutar por Bolsas? Até ao fim, pena é terem que ser muitos não bolseiros a perderem aulas a irem a manifestações enquanto bolseiros não aderem a protestos que só são seus.
      Por último e sem me alongar mais digo-te que a próxima vez que escreveres que te informes do que falas, porque durante o protesto a DG (que tu tanto criticas)estava reunida a fazer aquilo para que foram democraticamente eleitos: trabalhar, TODA!

      • Há muitas maneiras de “sentir” Coimbra, colega. Essa presunção que só quem usa capa e batina e canta o “é-fé-r-i-á” é que a sente é completamente descabida. Tenta saber um pouco o que foi a Coimbra dos anos 60, e principalmente, 70. A Coimbra revolucionária do Zeca e do Adriano. A Coimbra que mandou á bardamerda todas as hierarquizações desnecessárias e tradições obsoletas.

        Já que conheces tão bem a história do movimento estudantil coimbrão, tenta vislumbrar o sem número de visões distintas da sociedade, de ideologias políticas e económicas que animaram a academia e que pintaram as suas paredes e escadas. Há trabalhos científicos sobre isso.

        Por fim, tenta sair dos corredores da AAC e do bar dos jardins, e frequenta os grupos autónomos, as repúblicas,etc. Verás que Coimbra é “sentida” de milhares maneiras diferentes e ainda bem que assim é. Há espaço para todos. Tu vês Coimbra da tua maneira, outros preferem vê-la de outros prismas.

        Para terminar, podes começar por não utilizar despudoradamente a cara do Zeca para publicitar uma festa que lhe certamente repugnaria. Isso sim, é um atentado ao património cultural de Coimbra, além de uma falta de respeito á memória do Zeca, uma pessoa que lutou por uma sociedade livre de hierarquias, de ganância, imbuída de uma capacidade geral de pensamento crítico. Um homem que lutou pelo oposto do que é a Queima hoje em dia, portanto. Tenham vocês vergonha na cara.

      • Eu sei muito bem a história de toda a academia.
        E mais uma x falas do que não sabes, faço parte de secções da casa frequento até como muita regularidade várias republicas de Coimbra. Mais uma x falhas-te!
        Quanto a Zeca Afonso, não tendo nada a dizer sobre o cartaz da queima que é um método de publicidade ( mais ou menos consensual) como outro qualquer. Triste? triste é em assembleia magna se propor um tributo ao Zeca Afonso e aparecerem 20 pessoas, eu estava lá e tu?
        Estou a ver que te distancias em muito do rumo que leva a nossa académica. Contudo, dou por terminada a discussão que parece completamente inútil. “não a pena falar se você não me quer ouvir”

      • -comentário apagado porque o escrevi de cabeça quente e não me interessa instigar este tipo de discussão-

        Os argumentos que tenho estão apresentados acima. Responderei a refutações, não a acusações ou insultos.

  3. Sou militante do PCP, mas tambem discordo completamente deste tipo de situações, e muitas como estas, sou contra este tipo de coisas, não gosto de ver as paredes pintadas com o que quer que seja, considero de facto vandalismo. Este metodo pareçe me completamente errado, o PCP, não precisa disto para ser mais forte. Abraço

  4. http://5dias.net/2011/05/25/a-bem-da-nacao/

    Mais um contributo à reflexão, da pena do Tiago Mota Saraiva. É interessante como as monumentais foram alvo de pinturas de intervenção política desde há anos, inclusive da responsabilidade da própria AAC (pintada contra as propinas, RJIES e Bolonha). Porque é que nessa altura não houve nenhuma preocupação com o “património”, nem se fizeram manifestações intimidatórias? Pois, pode-se dizer que, em tempo de eleições, até vale arrancar ollhos. Ou pensam que o presidente da DG/AAC é “apartidário”?

  5. Andreia Martins,

    não estava no tributo ao Zeca porque não vivo em Coimbra.

    Segundo, acusas os outros de não quererem ouvir, mas as tuas capacidade auditivas também já tiveram melhores dias.

    Por último, termino com uma frase sábia:

    “O pior não é a ignorância. O pior é a ilusão do conhecimento”.

    Passa bem, e depois a ver se dás uns workshops de como “sentir” Coimbra, ok?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s