Convenção ou comício?

Desde já peço desculpa pelo atraso, mas como estamos em pré-campanha o tempo disponível não é o mesmo.

Quero deixar claro que sou militante única e exclusivamente do Bloco de Esquerda e esta foi a primeira vez que estive numa convenção (como convidada) do meu partido, portanto, as minhas impressões valem o que valem. Não vou entrar em pormenores descritivos sobre a atmosfera ou sobre o cenário, para isso podem ver várias fotografias aqui. Quero apenas transmitir alguns pensamentos sobre o acontecimento e nada mais.

O período de discussão das moções de orientação política.

Talvez por ser um período pré-eleitoral numa altura tão importante e também pelo facto de se encontrarem dezenas de jornalistas espaço da Convenção, esta pareceu-me mais um comício do que outra coisa. Segundo sei, este evento serve não só para eleger os órgãos de direcção do Bloco, como ainda para definir a estratégia política para os próximos dois anos e, portanto, para as próximas eleições, estava à espera de maior discussão e debate do que propriamente intervenções repetitivas e descritivas daquilo que é o Bloco. Se somos todos militantes deste partido, qual a necessidade de declarar que se vai defender os desempregados e os pensionistas? Não havia ali ninguém para ser convencido destas ideias, portanto, as mensagens eram para além Convenção via câmeras de televisão.

Esta situação não representaria um problema se o resto fosse discutido seriamente.

Os apoiantes da moção A esquivaram-se a fazê-lo e os apoiantes da moção C (na qual eu votei aquando da eleição de delegados) não o souberam fazer. Infelizmente, as outras duas moções não tiveram voz suficiente para forçar um debate a sério.

A moção A esteve mais preocupada em fazer um comício, não chegava os discursos do principal subscritor, Francisco Louçã, durante a abertura e encerramento (do qual eu gostei bastante) da Convenção, acharam bem, em cada intervenção a fazer, falar para os eleitores não bloquistas. Esquivaram-se a discutir a questão do apoio a Manuel Alegre, a precipitação na decisão da moção de censura e o não aprofundamento de relações com o PCP. Salvo algumas intervenções de nível um pouco duvidoso, não se dignaram a debater os problemas internos.

A moção C peca pelo tom usado e pela forma como tentar provocar a discussão: queixas e mais queixas, e, pelo que percebi, acusações de que a situação em Portugal está pior devido à mudança no tipo de luta do BE. Não me parece que seja o tom acertado, preferiria que se focassem naquilo que defendem e nas alternativas que apresentaram no texto (fizeram-no ao de leve mencionando o não pagamento da dívida) e reconhecer que alguma coisa o Bloco fez bem caso contrário não teria conseguido 16 deputados em 2009.

Ambas as partes perderam um boa oportunidade de esclarecerem muitos delegados e convidados, como foi o meu caso.

A discussão de alteração dos Estatutos.

Esta ocorreu na primeira parte da Convenção e de facto haveria algumas propostas que poderiam ser aprovadas e não o foram como maneira de manter um certo controlo, como é o caso da proporcionalidade na elaboração de listas para cargos públicos electivos.

Fiquei espantada com a forma como ocorrem as votações. A meu ver, deveriam ser dicutidas e votadas uma a uma, isto é, votadas imediatamente a seguir à sua discussão: debate sobre o voto 1, votação sobre o mesmo; debate sobre o voto 2, votação sobre o mesmo; etc. Debatê-las todas duma vez e, por fim, votá-las em massa, não me pareceu a melhor solução pois tal como eu, certamente que muitos delegados tiveram problemas em acompanhar o ritmo do processo e mais, a discussão já tinha ficado lá atrás…Talvez seja assim por uma questão de tempo.

A Convenção ocorreu entre as 11h da manhã de Sábado e as 13h30 de Domingo. Sinceramente, não me parece tempo suficiente para um debate a fundo das questões. Por outro lado, também entendo que possa ser bastante cansativo e muitos delegados ainda têm de regressar às suas casas no Domingo. Talvez se devesse considerar realizar as convenções em cidades distintas para que não sejam sempre os mesmos a sofrer com as longas distâncias.

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