>A revolução egípcia e o património arqueológico

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Danos no património arqueológico do Museu do Cairo.

Qualquer revolução assume contornos imprevisíveis, violentos e incalculáveis, especialmente aquelas que põem fim a décadas de frustração dos anseios democráticos das massas. Assim, muitas vezes os seus “efeitos colaterais”, fruto da acção de indíviduos menos conscientes, podem ser danosos para o património arqueológico e histórico dos países onde elas acontecem, e os danos revelam-se particularmente gravosos num país como o Egipto, portador de um espólio arqueológico cuja importância me abstenho de realçar.

Duas notas impõem-se, no entanto:

1) A falta que faz uma direcção revolucionária esclarecida e consciente que canalize a violência para os locais onde ela deve ser aplicada;

2) A própria localização do Museu do Cairo, adjacente à sede do partido de Moubarak, logo, tornando-se um alvo fácil para a violência dos tais individuos menos esclarecidos acerca do carácter que deve ter a revolução, que deve ser uma revolução de cultura e de progresso. Porque de obscurantismo e ignorância, já nos chega regimes como o de Moubarak.

Assim, e apesar da destruição de património, de alguma forma uma característica própria (ainda que não inevitável) da transformação revolucionária das sociedades, esperemos apenas que a revolução atinja os seus fins. No entanto, quem quer fazer História, não deve desprezá-la…

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