>Há vida para além das eleições?

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De facto, a esquerda-de-todas-as-cores-e-às-bolinhas-amarelas já teve melhores dias. Perdeu as estribeiras durante a campanha, quando acusou todos os que não vislumbravam alternativas credíveis de serem imundos cavaquistas, e parece que ainda não as recuperou. Este texto do Daniel Oliveira reflecte bem isso. O caríssimo Daniel basicamente propõe que a reflexão que devemos fazer face à abstenção é ignorá-la. Exactamente, devemos fazer ouvidos moucos a quem não acredita na democracia e nos seus candidatos. Sim, porque aos olhos do Daniel o descrédito da democracia deve-se à burrice ou estupidez dos eleitorado, e de forma alguma reflecte o estado miserável que ela apresenta. As pessoas que não votam, muitas delas porque não acreditam sinceramente no futuro deste regime, não pensam, não se importam, ou são uns párias.

Então, e resumindo, o nosso Daniel apresenta uma resposta inaudita para combater o descrédito da política: aprofundar o divórcio entre esta e mais de metade do país. A metade que vota na mudança sazonal das moscas é que interessa, o resto é um bando de incompetentes que não merece o estatuto de cidadão. Quem sabe, daqui a uns tempos, o Daniel Oliveira venha a pedir a suspensão da cidadania durante seis meses.

Do nosso lado, nunca chegaremos a tal pessimismo. Muitas vezes, o divórcio entre os povos e os regimes que os governam são saudáveis. Se o regime é uma encenação, as pessoas desiludem-se da farsa, afastam-se, e novos regimes nascem. Longe de mim afirmar que a abstenção é um sinal de que isso vá acontecer num futuro próximo, simplesmente não penso que seja um sinal deveras preocupante no contexto das eleições presidenciais, pelo contrário, até pode ser positivo, como já expliquei antes. Há vida além do parlamentarismo burguês e há política além de Cavaco ou Alegre. Assim, esperemos que à medida que o regime se afunda, que surjam alternativas, fora de eleições, candidatos de ocasião e encenações eleitorais. Claro que isso é motivo de preocupação para “opinadores” (a auto-proclamação é do próprio) como o Daniel, que não avistam um horizonte político além das discussões quinzenais do parlamento, e concebem a democracia parlamentar e o capitalismo “soft” como o fim da história. Entretanto, voltemos para o Maghreb…

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